Neoplasia Escamosa da Superfície Ocular: Riscos e Diagnóstico

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2012

Enunciado

Paciente de 58 anos de idade, sexo masculino, branco. Trabalha como frentista, manuseando bombas de gasolina há 16 anos. Apresenta antecedentes de tabagismo (fumou durante 32 anos e interrompeu o hábito recentemente), hipertensão arterial sistêmica e hepatite C. Há oito meses descobriu sorologia positiva para HIV. As imagens a seguir demonstram o exame biomicroscópico do seu olho direito (imagens A e B), o estudo histopatológico de fragmento de biópsia da lesão (C) e o aspecto cerca de um ano após o tratamento (D). O olho esquerdo não apresenta alterações. É correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Como o olho contralateral é normal, a realização de aloenxerto de limbo é o tratamento mais indicado para o paciente no momento em que as fotos A e B foram obtidas
  2. B) A conclusão mais relevante após a análise da imagem C é que a presença das células caliciformes localizadas na córnea indica deficiência límbica
  3. C) Injeções subconjuntivais de mitomicina C, na dose de um milhão de unidades/mL, realizadas a cada três dias, por 4 a 6 semanas, é a opção de tratamento mais indicada
  4. D) Exposições aos raios ultravioletas e aos derivados do petróleo são consideradas fatores de risco para o desenvolvimento da lesão

Pérola Clínica

OSSN → Associada a UV, HIV, HPV e irritantes químicos (petróleo).

Resumo-Chave

A neoplasia escamosa da superfície ocular (OSSN) é multifatorial, com forte correlação com imunossupressão (HIV) e exposição ambiental crônica a carcinógenos.

Contexto Educacional

A OSSN engloba desde a displasia intraepitelial conjuntival até o carcinoma espinocelular invasor. Clinicamente, manifesta-se como uma lesão elevada, carnosa, muitas vezes com vasos nutridores e leucoplasia, localizada preferencialmente no limbo (zona de transição celular). O tratamento envolve a exérese cirúrgica com margens amplas (técnica 'no touch') associada ou não a crioterapia e quimioterápicos tópicos como Mitomicina C ou 5-Fluorouracil.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre o HIV e a OSSN?

Pacientes HIV positivos apresentam um risco significativamente maior de desenvolver OSSN, muitas vezes em idades mais jovens e com apresentações clínicas mais agressivas. A imunossupressão facilita a ação de co-fatores como o HPV e o dano actínico.

Quais são os principais fatores de risco ambientais para essa neoplasia?

A exposição crônica à radiação ultravioleta (UV-B) é o principal fator. Além disso, a exposição a derivados de petróleo (como no caso do frentista), tabagismo e irritantes químicos crônicos contribuem para a carcinogênese do epitélio escamoso da conjuntiva e córnea.

Como é feito o diagnóstico definitivo?

Embora a biomicroscopia e a citologia de impressão ajudem na suspeita, o diagnóstico definitivo é histopatológico através da biópsia da lesão. A imagem C mencionada no enunciado confirma a neoplasia ao mostrar atipia celular e perda da polaridade epitelial.

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