INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020
Uma paciente com 35 anos de idade procura atendimento hospitalar devido a episódio único de sangramento anal vermelho vivo, indolor, em pequena quantidade durante evacuação. Nega qualquer história prévia de traumatismo local. Em seu exame físico, constatou-se que a paciente está em bom estado geral, normocorada, PA = 120 x 60 mmHg, FC = 76 bpm e com pulso radial amplo, regular. Abdome plano e depressível, indolor à palpação, sem massas palpáveis e sem sinais de irritação peritoneal. A anuscopia não demonstrou doença hemorroidária externa e/ou fissuras anais e/ou fístulas perianais. O toque retal não identificou lesões palpáveis, até cerca de ± 6 cm da margem anal, porém, evidenciou discreta quantidade de sangue em dedo-de-luva. O médico assistente solicitou hemograma, cujo resultado foi normal. A paciente foi liberada com encaminhamento ambulatorial e com solicitação de exame de colonoscopia. O resultado da colonoscopia mostrou alguns pólipos colônicos, não pediculados, e lesão de borda elevada com ulceração central, séssil, ± 1,5 cm de diâmetro, em cólon sigmoide, distando ± 35 cm da margem anal - a qual foi biopsiada. Nesse caso clínico, a hipótese diagnóstica mais provável para essa paciente é de
Sangramento anal + lesão séssil ulcerada em cólon sigmoide → alta suspeita de neoplasia colônica.
Em um paciente de 35 anos com sangramento anal, mesmo que indolor e em pequena quantidade, a presença de uma lesão séssil, ulcerada e de borda elevada no cólon sigmoide, identificada por colonoscopia, é altamente sugestiva de neoplasia colônica. A idade, embora jovem para rastreamento de rotina, não exclui a possibilidade de câncer colorretal, especialmente com achados tão específicos.
O sangramento anal vermelho vivo (hematoquezia) é um sintoma que sempre exige investigação, independentemente da idade do paciente, embora em jovens seja frequentemente atribuído a causas benignas. No entanto, a presença de uma lesão séssil, ulcerada e de borda elevada no cólon, como descrito no caso, é um achado altamente preocupante e sugestivo de malignidade, mesmo em um paciente de 35 anos. A colonoscopia é o exame padrão-ouro para a avaliação do cólon e reto, permitindo a visualização direta de lesões, a realização de biópsias e a remoção de pólipos. Pólipos colônicos, especialmente os não pediculados e com características suspeitas (como ulceração), são precursores de câncer colorretal e devem ser biopsiados ou removidos para análise histopatológica. A idade de 35 anos, embora abaixo da idade de rastreamento populacional para câncer colorretal (geralmente a partir dos 45-50 anos), não exclui a possibilidade de neoplasia, especialmente em casos com sintomas e achados endoscópicos sugestivos. O diagnóstico precoce da neoplasia colônica é fundamental para o sucesso do tratamento e melhora do prognóstico. A biópsia da lesão é essencial para confirmar a natureza histopatológica e guiar a conduta terapêutica, que pode incluir ressecção cirúrgica, quimioterapia e/ou radioterapia, dependendo do estadiamento da doença.
Sangramento anal vermelho vivo, mesmo que indolor e em pequena quantidade, que não é explicado por causas anais óbvias (como hemorroidas ou fissuras), deve levantar suspeita. A presença de alterações no hábito intestinal ou perda de peso também são alarmantes.
A colonoscopia é o exame padrão-ouro para visualizar diretamente o cólon e o reto, permitindo identificar lesões como pólipos e massas. É fundamental para realizar biópsias de lesões suspeitas e remover pólipos, que podem ser precursores de câncer.
A diferenciação é feita principalmente pela biópsia e análise histopatológica. No entanto, características endoscópicas como tamanho (>1 cm), aspecto séssil, bordas elevadas, ulceração central e friabilidade da lesão são indicativos de maior risco de malignidade e exigem biópsia imediata.
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