Lesões Císticas Pancreáticas: Diagnóstico e Conduta Cirúrgica

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2020

Enunciado

Paciente com 60 anos, feminino procura consultório médico com achado incidental de lesão cística na cabeça do pâncreas visualizado à ultrassonografia. Relata perda de peso atribuída a reeducação alimentar e início de atividades físicas. Nega dor, alteração no hábito intestinal, sintomas colestáticos ou alterações nos hábitos alimentares. Solicitado tomografia. Considerando o caso e o exame imagem julgue a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Imagem cística em “favos de mel” e cicatriz central – Diagnóstico: neoplasia cística mucinosa – Conduta cirúrgica: duodenopancreatectomia.
  2. B)  Imagem cística em “favos de mel” e calcificação periférica – Diagnóstico: neoplasia papilar mucinosa intraductal – Conduta cirúrgica: expectante.
  3. C)  Imagem cística em “favos de mel” e cicatriz central – Diagnóstico: neoplasia cística serosa – Conduta cirúrgica: expectante.
  4. D)  Imagem oligocística com calcificação periférica, necrose e nódulo mural – Neoplasia Cística Mucinosa – duodenopancreatectomia.

Pérola Clínica

Lesão cística pancreática oligocística com nódulo mural/necrose → NCM suspeita de malignidade → Duodenopancreatectomia.

Resumo-Chave

As lesões císticas do pâncreas são achados incidentais cada vez mais comuns. A diferenciação entre cistoadenoma seroso (geralmente benigno, 'favos de mel', cicatriz central) e neoplasia cística mucinosa (com potencial maligno, macrocística/oligocística, calcificações periféricas, nódulos murais) é crucial para definir a conduta, que pode variar de observação a ressecção cirúrgica complexa.

Contexto Educacional

As lesões císticas do pâncreas são achados cada vez mais frequentes devido ao aumento do uso de exames de imagem. A correta classificação e manejo dessas lesões são cruciais, pois algumas possuem potencial de malignização. A Neoplasia Cística Mucinosa (NCM) é uma lesão pré-maligna que, se não tratada, pode evoluir para adenocarcinoma. O residente deve estar familiarizado com as características radiológicas que distinguem as diferentes lesões. A fisiopatologia das NCMs envolve a proliferação de células epiteliais produtoras de mucina, com um estroma ovariano característico. O diagnóstico diferencial com outras lesões císticas, como cistoadenoma seroso, IPMN (neoplasia papilar mucinosa intraductal) e pseudocistos, é feito por meio de exames de imagem (TC, RM, USG endoscópica com PAAF) e análise do líquido cístico. Sinais de alarme como nódulos murais, dilatação do ducto principal e tamanho da lesão indicam maior risco de malignidade. A conduta para NCM é geralmente cirúrgica, devido ao seu potencial maligno. A duodenopancreatectomia (cirurgia de Whipple) é o procedimento de escolha para lesões localizadas na cabeça do pâncreas. Para lesões benignas como o cistoadenoma seroso assintomático, a conduta pode ser expectante com acompanhamento. A decisão cirúrgica deve ser individualizada, considerando os riscos e benefícios para o paciente.

Perguntas Frequentes

Quais características de imagem sugerem malignidade em uma lesão cística pancreática?

Sinais de malignidade ou alto risco incluem nódulos murais, espessamento da parede cística, dilatação do ducto pancreático principal, calcificações periféricas, necrose e tamanho superior a 3 cm.

Qual a diferença entre neoplasia cística mucinosa e cistoadenoma seroso?

O cistoadenoma seroso é geralmente benigno, microcístico ('favos de mel') com cicatriz central. A neoplasia cística mucinosa (NCM) é macrocística ou oligocística, com septos, e possui potencial maligno, sendo mais comum em mulheres e na cauda do pâncreas.

Quando a duodenopancreatectomia é indicada para lesões císticas do pâncreas?

A duodenopancreatectomia (cirurgia de Whipple) é indicada para lesões císticas na cabeça do pâncreas com características de alto risco ou malignidade confirmada, como NCM com nódulos murais, necrose ou invasão.

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