INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Um homem com 40 anos de idade, tabagista e etilista crônico, procura assistência médica relatando mal-estar geral, náuseas e vômitos. Refere que apresenta icterícia progressiva há 4 meses e perda de 8 kg de peso no mesmo período. Afirma que procurou serviço médico outras vezes, motivado pela coloração escura da urina e amarelada da pele, mas que não realizou exames solicitados nessas ocasiões. O médico solicita tomografia de abdome e exames laboratoriais, que apresentam o seguinte resultado: hemoglobina = 8,2 g/dL (valor de referência: 13,0 a 16,5 g/dL); hematócrito = 26% (valor de referência: 36 a 54%); leucócitos totais = 13.000/mm³ (valor de referência: 3.600 a 11.000/mm³); glicemia de jejum = 210 mg/dL (valor de referência: 70 a 99 mg/dL); LDH = 350 U/L (valor de referência: 50 a 115 U/L); aspartato amino transferase = 60 U/L (valor de referência: inferior a 34 U/L); alanino amino transferase = 66 U/L (valor de referência: 10 a 49 U/L); gama glutamil transferase = 200 U/L (valor de referência: inferior a 73 U/L); bilirrubina total = 7,0 mg/dL (valor de referência: 0,3 a 1,2 mg/dL); bilirrubina direta = 5,8 mg/dL (valor de referência: até 0,35 mg/dL); bilirrubina indireta = 1,2 mg/dL (valor de referência: até 1,0 mg/dL); fosfatase alcalina = 250 U/L (valor de referência: 13 a 43 U/L). A tomografia de abdome é mostrada a seguir: Assinale a opção em que são apresentados o diagnóstico e a conduta adequada ao caso:
Icterícia obstrutiva + Perda de peso + Vesícula palpável → Neoplasia de cabeça de pâncreas.
O quadro clínico e laboratorial (icterícia direta, perda ponderal, colestase) sugere neoplasia de cabeça de pâncreas. Em casos avançados ou irressecáveis, a conduta foca na paliação dos sintomas obstrutivos.
O adenocarcinoma de cabeça de pâncreas é uma das neoplasias mais agressivas do trato digestivo, frequentemente diagnosticado em estágios avançados devido à sua localização retroperitoneal. O quadro clássico envolve icterícia obstrutiva progressiva, colúria, acolia fecal e perda ponderal significativa. O sinal de Courvoisier-Terrier (vesícula biliar palpável e indolor) é altamente sugestivo. O tratamento curativo exige a gastroduodenopancreatectomia (Cirurgia de Whipple), porém apenas 20% dos pacientes são candidatos ao diagnóstico. Para os demais, a paliação visa melhorar a qualidade de vida. A derivação biliodigestiva (hepaticojejunostomia) trata a icterícia e o prurido, enquanto a derivação gástrica (gastrojejunostomia) previne ou trata a obstrução duodenal pelo crescimento tumoral.
É uma icterícia do tipo obstrutiva (colestática), caracterizada por aumento de bilirrubina direta, fosfatase alcalina e GGT, geralmente progressiva e indolor (embora possa haver desconforto).
Essas derivações são indicadas como tratamento paliativo quando o tumor é considerado irressecável, visando aliviar a obstrução biliar e a obstrução do esvaziamento gástrico, respectivamente.
A TC de abdome com protocolo para pâncreas é essencial para avaliar a massa, a dilatação das vias biliares e pancreáticas (sinal do duplo ducto) e a relação do tumor com os vasos mesentéricos (critérios de ressecabilidade).
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