Neoplasia de Pâncreas: Sinais Chave na Icterícia Obstrutiva

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 60 anos de idade, masculino, procura hospital de atenção secundária com história de “olhos amarelados” há cerca de 4 semanas. Refere “desconforto” discreto em epigástrio e hipocôndrio direito. Nega febre. Ao exame físico, paciente emagrecido, ictérico, 4+/4+, eupneico, normocorado. Abdome plano, flácido, depressível, com vesícula biliar palpável, indolor, sinal de Murphy negativo.Com base nessas informações, qual a hipótese diagnóstica para o caso clínico descrito?

Alternativas

  1. A) Pancreatite aguda.
  2. B) Colangite. 
  3. C) Abscesso hepático. 
  4. D) Neoplasia de cabeça de pâncreas.

Pérola Clínica

Icterícia indolor + vesícula biliar palpável (Courvoisier) + emagrecimento → Neoplasia cabeça pâncreas.

Resumo-Chave

A tríade de icterícia progressiva e indolor, vesícula biliar palpável (sinal de Courvoisier) e emagrecimento em um paciente idoso é altamente sugestiva de neoplasia de cabeça de pâncreas, que causa obstrução do ducto biliar distal.

Contexto Educacional

A icterícia é um sinal clínico importante que exige investigação imediata, especialmente em pacientes idosos. A diferenciação entre icterícia de origem benigna e maligna é crucial para o planejamento terapêutico e prognóstico. A neoplasia de cabeça de pâncreas, predominantemente o adenocarcinoma, é uma das causas mais graves de icterícia obstrutiva. A fisiopatologia da icterícia na neoplasia de cabeça de pâncreas decorre da compressão do ducto biliar comum (colédoco) pelo tumor em crescimento. Isso leva a uma obstrução progressiva do fluxo biliar, resultando em acúmulo de bilirrubina conjugada na corrente sanguínea. Os sinais e sintomas clássicos incluem icterícia progressiva e indolor, perda de peso inexplicável, dor abdominal discreta e o sinal de Courvoisier (vesícula biliar palpável e indolor). O diagnóstico envolve exames de imagem como ultrassonografia abdominal, tomografia computadorizada (TC) de abdome e pelve com contraste, e ressonância magnética (RM) com colangiopancreatografia (CPRM). A biópsia, geralmente guiada por ultrassonografia endoscópica (USE), é necessária para confirmação histopatológica. O tratamento da neoplasia de cabeça de pâncreas é complexo e pode incluir cirurgia (duodenopancreatectomia, ou cirurgia de Whipple), quimioterapia e radioterapia, dependendo do estágio da doença. O prognóstico é geralmente reservado, tornando o diagnóstico precoce e a suspeita clínica fundamental para tentar melhorar os desfechos.

Perguntas Frequentes

O que é o sinal de Courvoisier e qual sua importância?

O sinal de Courvoisier é a presença de uma vesícula biliar palpável e indolor em um paciente ictérico. Ele sugere que a obstrução do ducto biliar distal é causada por uma massa extrínseca (geralmente maligna, como neoplasia de cabeça de pâncreas), e não por cálculos biliares, que geralmente levam à fibrose da vesícula, tornando-a não palpável.

Quais são os sintomas clássicos da neoplasia de cabeça de pâncreas?

Os sintomas incluem icterícia progressiva e indolor (devido à obstrução biliar), dor abdominal (epigástrica ou em hipocôndrio direito, que pode irradiar para as costas), perda de peso inexplicável, anorexia, náuseas, vômitos e, ocasionalmente, esteatorreia.

Como diferenciar icterícia obstrutiva maligna de benigna?

A icterícia obstrutiva maligna (ex: neoplasia de pâncreas) frequentemente é indolor, progressiva, associada a perda de peso e pode apresentar sinal de Courvoisier. A icterícia obstrutiva benigna (ex: coledocolitíase) geralmente cursa com dor tipo cólica biliar, febre (colangite) e pode ter flutuações na icterícia.

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