Neoadjuvância no Câncer Gástrico: O Legado do MAGIC Trial

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2022

Enunciado

Em relação à neoadjuvância no tratamento do adenocarcinoma gástrico, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Consiste na recomendação de tratamento para pacientes estadiados no pré-operatório como tendo doença localmente avançada, com T >2 e N+, com ou sem M+.
  2. B) Tal tratamento consiste no uso do esquema de drogas conhecido por FLOT, em 4 ciclos antes da cirurgia e 4 ciclos após a cirurgia, acompanhado de radioterapia nos ciclos antes da cirurgia.
  3. C) As evidências que favoreceram o uso desta modalidade de tratamento foram apontadas inicialmente no ensaio clínico conhecido como Magic Trial, estudo britânico que originalmente utilizava o esquema ECF em ciclos antes e depois da cirurgia.
  4. D) Esta modalidade de tratamento deve ter seus dias contados, a partir das evidências atuais mais favoráveis com uso da HIPEC, ou seja, quimioterapia intraperitoneal hipertérmica.
  5. E) De acordo com as evidências atuais, os melhores resultados da neoadjuvância no câncer gástrico ocorrem para os pacientes com adenocarcinoma indiferenciados com células em anel de sinete.

Pérola Clínica

Neoadjuvância no câncer gástrico: MAGIC Trial (ECF perioperatório) foi marco inicial para doença ressecável.

Resumo-Chave

O MAGIC Trial foi um estudo seminal que demonstrou o benefício da quimioterapia perioperatória (esquema ECF) em pacientes com adenocarcinoma gástrico ressecável, estabelecendo a neoadjuvância como um pilar no tratamento da doença localmente avançada.

Contexto Educacional

O tratamento do adenocarcinoma gástrico localmente avançado evoluiu significativamente, e a neoadjuvância (ou quimioterapia perioperatória) tornou-se um pilar fundamental. O conceito de administrar quimioterapia antes e depois da cirurgia visa não apenas reduzir o tamanho do tumor primário para facilitar a ressecção, mas também tratar micrometástases sistêmicas que podem não ser detectáveis no estadiamento inicial. O ensaio clínico MAGIC (Medical Research Council Adjuvant Gastric Infusional Chemotherapy) foi um marco, demonstrando que a quimioterapia perioperatória com o esquema ECF (epirrubicina, cisplatina e 5-fluorouracil) melhorava a sobrevida global em comparação com a cirurgia isolada. Desde então, outros esquemas, como o FLOT, têm sido estudados e mostram resultados promissores, tornando-se o padrão em muitos locais. É crucial para o residente compreender as indicações da neoadjuvância, os principais estudos que a embasaram e os regimes quimioterápicos utilizados, para otimizar o manejo desses pacientes e melhorar os desfechos oncológicos.

Perguntas Frequentes

O que é a neoadjuvância no tratamento do câncer gástrico?

A neoadjuvância refere-se ao tratamento sistêmico (geralmente quimioterapia) administrado antes da cirurgia em pacientes com câncer gástrico localmente avançado. O objetivo é reduzir o tumor, erradicar micrometástases e melhorar a ressecabilidade e o prognóstico.

Qual a importância do MAGIC Trial para o tratamento do câncer gástrico?

O MAGIC Trial foi um estudo pivotal que demonstrou que a quimioterapia perioperatória (3 ciclos pré-operatórios e 3 ciclos pós-operatórios do esquema ECF) resultou em melhora significativa da sobrevida global e livre de progressão em pacientes com câncer gástrico ressecável, estabelecendo um novo padrão de tratamento.

Qual a diferença entre os esquemas ECF e FLOT no câncer gástrico?

O esquema ECF (epirrubicina, cisplatina, 5-fluorouracil) foi o regime utilizado no MAGIC Trial. O esquema FLOT (5-fluorouracil, leucovorina, oxaliplatina, docetaxel) é um regime mais recente e, em alguns estudos, demonstrou ser superior ao ECF em termos de sobrevida, sendo atualmente preferido em muitos centros para a quimioterapia perioperatória.

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