Adenocarcinoma de Reto: Indicações de Neoadjuvância

UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2022

Enunciado

Com relação ao adenocarcinoma de reto, qual destas apresentações são elegíveis para se realizar neoadjuvância com radioterapia e quimioterapia?

Alternativas

  1. A) Colonoscopia com achado de lesão vegetante histopatologicamente confirmada, distante 15 cm da margem anal, ocupando 50% da luz e 50% da circunferência retal.
  2. B) Colonoscopia com achado de lesão vegetante histopatologicamente confirmada, distante 18 cm da margem anal, ocupando 75% da luz e 25% da circunferência retal.
  3. C) Colonoscopia com achado de lesão vegetante histopatologicamente confirmada, distante 12 cm da margem anal, ocupando 50% da luz e 100% da circunferência retal.
  4. D) Colonoscopia com achado de lesão vegetante histopatologicamente confirmada, distante 5 cm da margem anal, ocupando 50% da luz e 25% da circunferência retal

Pérola Clínica

Neoadjuvância em câncer de reto → lesões baixas (<5cm da margem anal), T3/T4, N+, ou com margem circunferencial comprometida.

Resumo-Chave

A neoadjuvância com quimiorradioterapia é indicada para adenocarcinomas de reto localmente avançados, especialmente aqueles localizados no reto médio e baixo (geralmente <12 cm da margem anal), com invasão da camada muscular própria (T3/T4), linfonodos positivos (N+) ou margem de ressecção circunferencial (CRM) ameaçada. O objetivo é reduzir o tumor, esterilizar linfonodos e aumentar a chance de ressecção R0.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma de reto representa uma parcela significativa dos cânceres colorretais e seu tratamento é complexo, envolvendo cirurgia, radioterapia e quimioterapia. A neoadjuvância, que consiste na administração de quimiorradioterapia antes da cirurgia, é uma estratégia fundamental para tumores localmente avançados, visando melhorar os resultados oncológicos e a qualidade de vida do paciente. A indicação de neoadjuvância é baseada principalmente no estadiamento do tumor, determinado por exames de imagem como a ressonância magnética de pelve e a tomografia computadorizada de tórax e abdome. Tumores T3 ou T4 (com invasão além da camada muscular própria ou de órgãos adjacentes), com linfonodos regionais positivos (N+) ou com comprometimento da margem de ressecção circunferencial (CRM) são os principais candidatos. A proximidade do tumor à margem anal também é um fator crucial, pois tumores no reto baixo (<5 cm) e médio (<12 cm) têm maior dificuldade de ressecção com margens livres e maior risco de recidiva local. A quimiorradioterapia neoadjuvante permite a redução do volume tumoral, a esterilização de micrometástases e a downstaging do tumor, aumentando a taxa de cirurgias com margens livres (R0) e, em alguns casos, possibilitando a preservação esfincteriana. Após a neoadjuvância, um período de espera é recomendado antes da cirurgia para permitir a máxima regressão tumoral e a recuperação dos tecidos.

Perguntas Frequentes

Qual a principal finalidade da neoadjuvância no câncer de reto?

A neoadjuvância visa reduzir o tamanho do tumor primário, esterilizar linfonodos regionais, diminuir o risco de recidiva local e aumentar a taxa de ressecção R0 (sem doença residual macroscópica), especialmente em tumores localmente avançados.

Quais fatores determinam a indicação de neoadjuvância?

Os principais fatores são a distância da margem anal (tumores mais baixos), o estadiamento T (T3/T4), o status nodal (N+) e o comprometimento da margem de ressecção circunferencial (CRM) na ressonância magnética.

Como a localização do tumor no reto influencia a conduta?

Tumores no reto baixo e médio (geralmente <12 cm da margem anal) têm maior probabilidade de necessitar de neoadjuvância devido à anatomia pélvica restrita e maior risco de comprometimento da margem de ressecção. Tumores de reto alto podem ser tratados com cirurgia primária.

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