Tratamento de Gonorreia Faríngea: Protocolo Atualizado

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025

Enunciado

Adolescente, sexo masculino, com 17 anos, está preocupado com uma infecção sexualmente transmissível. Há pouco mais de um mês, ele teve relações sexuais desprotegidas (sexo oral e vaginal) com parceria desconhecida. Ele não relata nenhum sintoma e não usa PREP. Ao exame físico, os sinais vitais estão normais, não se observa linfadenopatia, exantema ou exsudato faríngeo. Não existem lesões genitais. O teste de amplificação de ácido nucleico (PCR) de um swab faríngeo é positivo para Neisseria gonorrhoeae e negativo para Chlamydia trachomatis. O PCR da urina é negativo para clamídia e gonorreia. O teste rápido de HIV e sífilis são negativos. Qual droga faz obrigatoriamente parte da prescrição que esse paciente deve receber, de acordo com o protocolo mais recente do Ministério da Saúde?

Alternativas

  1. A) Ciprofloxacino.
  2. B) Ceftriaxona.
  3. C) Penicilina benzatina.
  4. D) Doxiciclina.

Pérola Clínica

Gonorreia (mesmo extragenital/assintomática) → Ceftriaxona 500mg IM dose única é o tratamento padrão.

Resumo-Chave

O tratamento da infecção por Neisseria gonorrhoeae, conforme os protocolos mais recentes, prioriza a Ceftriaxona devido à alta taxa de resistência do gonococo a quinolonas e penicilinas. A localização faríngea exige tratamento sistêmico eficaz.

Contexto Educacional

A abordagem das ISTs em adolescentes exige confidencialidade e uma anamnese detalhada sobre práticas sexuais. A Neisseria gonorrhoeae é um diplococo gram-negativo que infecta superfícies mucosas. O aumento da incidência de infecções extragenitais (faríngeas e retais) reflete mudanças nos comportamentos sexuais e a necessidade de rastreamento em múltiplos sítios. O protocolo brasileiro de 2020/2024 enfatiza o tratamento imediato. A dose de 500mg de Ceftriaxona é suficiente para a maioria das infecções não complicadas. É importante notar que, anteriormente, recomendava-se a associação com Azitromicina, mas essa prática foi descontinuada para evitar a pressão seletiva de resistência, a menos que a infecção por Chlamydia trachomatis não tenha sido excluída.

Perguntas Frequentes

Por que a ceftriaxona é a droga de escolha para gonorreia?

A Ceftriaxona é uma cefalosporina de terceira geração que permanece altamente eficaz contra a Neisseria gonorrhoeae, apresentando baixas taxas de resistência em comparação com outras classes. O Ministério da Saúde e órgãos internacionais como o CDC recomendam a Ceftriaxona 500mg IM em dose única como tratamento de primeira linha. O uso de quinolonas (como ciprofloxacino) ou penicilinas não é mais recomendado de forma empírica devido à disseminação global de cepas resistentes. Em casos de infecção faríngea, a eficácia da ceftriaxona é superior à de outros esquemas, sendo crucial para interromper a cadeia de transmissão e prevenir complicações.

Como manejar um paciente assintomático com PCR positivo para gonococo?

Pacientes assintomáticos com teste de amplificação de ácido nucleico (NAAT/PCR) positivo devem ser tratados da mesma forma que pacientes sintomáticos, pois são reservatórios importantes para a transmissão da bactéria. O tratamento padrão é Ceftriaxona 500mg IM. Além disso, é fundamental realizar a busca e o tratamento das parcerias sexuais dos últimos 60 dias, mesmo que estas estejam assintomáticas. O rastreio de outras ISTs (HIV, Sífilis, Hepatites B e C) deve ser realizado simultaneamente. A retestagem (teste de cura) não é rotineiramente necessária para infecções urogenitais, mas pode ser considerada em infecções faríngeas 7 a 14 dias após o tratamento.

Qual a importância da gonorreia faríngea na saúde pública?

A faringe é um sítio anatômico crítico para a Neisseria gonorrhoeae por dois motivos principais: primeiro, a maioria das infecções faríngeas é assintomática, facilitando a transmissão silenciosa através do sexo oral. Segundo, a faringe é considerada um 'laboratório' para o desenvolvimento de resistência antimicrobiana, pois o gonococo pode trocar material genético com outras espécies de Neisseria comensais da flora orofaríngea. Isso pode levar ao surgimento de cepas multirresistentes. Portanto, o diagnóstico por biologia molecular (PCR) em swabs faríngeos e o tratamento imediato com esquemas potentes como a ceftriaxona são estratégias vitais de controle epidemiológico.

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