UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Homem, 30a, vítima de acidente de motocicleta contra anteparo fixo, é trazido para Unidade de Pronto Atendimento. Exame inicial: escala de coma de Glasgow=7; PA=128/82mmHg. Transferido para hospital de referência em trauma, com hidratação por veia periférica, respiração espontânea em máscara não inalante e cânula de Guedel. Durante o transporte, apresentou vômitos com broncoaspiração, evoluindo com parada cardiorrespiratória e óbito.DE ACORDO COM O CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA, A INFRAÇÃO ÉTICA COMETIDA FOI:
Glasgow ≤ 8 → Intubação orotraqueal para proteção de via aérea é mandatória antes do transporte.
Pacientes com rebaixamento do nível de consciência (Glasgow ≤ 8) têm reflexos de proteção de via aérea abolidos. A falha em estabelecer uma via aérea definitiva (intubação) antes do transporte configura negligência, pois expõe o paciente a um risco iminente e prevenível de broncoaspiração.
No atendimento ao paciente politraumatizado, a avaliação e o manejo das vias aéreas são a prioridade máxima, seguindo o mnemônico ABCDE do ATLS (Advanced Trauma Life Support). A falha em garantir uma via aérea pérvia e protegida pode levar a consequências catastróficas, como hipóxia, hipercapnia e broncoaspiração, que constituem graves lesões cerebrais secundárias. Do ponto de vista ético e legal, a omissão de um procedimento padrão e indicado, que resulta em dano ao paciente, caracteriza negligência médica. A Escala de Coma de Glasgow (GCS) é uma ferramenta fundamental para avaliar o nível de consciência e determinar a necessidade de uma via aérea definitiva. Um escore igual ou inferior a 8 indica um traumatismo cranioencefálico (TCE) grave e a perda dos reflexos protetores da via aérea. A máxima 'Glasgow menor ou igual a 8, tubo' é um pilar do atendimento ao trauma. Transportar um paciente nessas condições sem intubação é uma falha grave no cuidado. A conduta correta no caso apresentado seria a intubação orotraqueal com sequência rápida de intubação, garantindo a proteção da via aérea antes do início do transporte inter-hospitalar. A utilização de uma cânula de Guedel e máscara de oxigênio é insuficiente e inadequada para este cenário, pois não previne a aspiração de conteúdo gástrico. A broncoaspiração seguida de parada cardiorrespiratória foi uma complicação direta e evitável da conduta inadequada, configurando uma infração ao Código de Ética Médica por negligência.
As indicações incluem: incapacidade de manter a via aérea pérvia por outros meios, incapacidade de manter oxigenação adequada com máscara, rebaixamento do nível de consciência (Escala de Coma de Glasgow ≤ 8), e a necessidade de proteger a via aérea de aspiração de sangue ou vômito.
A conduta correta é a estabilização da via aérea com intubação orotraqueal e ventilação mecânica antes de iniciar o transporte. Isso garante a proteção contra broncoaspiração e permite o controle da ventilação e oxigenação durante todo o trajeto.
Negligência é a omissão, o 'não fazer' o que deveria ser feito (ex: não intubar com Glasgow 7). Imprudência é a ação precipitada, sem cautela (ex: realizar um procedimento sem o material adequado). Imperícia é a falta de habilidade técnica para realizar um ato médico.
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