MedEvo Simulado — Prova 2026
Sr. Orlando, 82 anos, é levado à Unidade de Pronto Atendimento por uma vizinha, que relata que o idoso tem ficado sozinho por longos períodos em sua residência. Ao exame físico, o médico observa que o paciente apresenta-se desidratado, com higiene precária e múltiplas lesões por pressão em estágio inicial na região sacral e nos calcâneos. Durante a anamnese, Sr. Orlando demonstra-se confuso e retraído ao ser questionado sobre seus cuidados diários e alimentação. A vizinha complementa informando que o filho do paciente, que detém a guarda de fato e gerencia a aposentadoria do idoso, raramente é visto na casa e que faltam insumos básicos no domicílio. Diante da suspeita de negligência e possíveis maus-tratos, a conduta ética e legal do médico assistente deve ser:
Suspeita fundamentada de maus-tratos ao idoso = Notificação compulsória imediata.
A notificação de maus-tratos ou negligência contra idosos é obrigatória por lei (Estatuto do Idoso) e não requer prova absoluta, bastando a suspeita clínica fundamentada.
A violência contra o idoso é um problema de saúde pública complexo que se manifesta de diversas formas: física, psicológica, sexual, financeira, abandono e negligência. A negligência, caracterizada pela recusa ou omissão de cuidados básicos por parte dos responsáveis, é uma das formas mais prevalentes. O médico ocupa uma posição estratégica na identificação desses casos durante o atendimento clínico. O Estatuto do Idoso impõe a notificação compulsória como ferramenta de proteção, visando interromper o ciclo de violência e garantir a assistência social e jurídica necessária ao paciente. A omissão da notificação pode acarretar responsabilidade administrativa e penal para o profissional de saúde.
Não. A legislação brasileira, especificamente o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003), estabelece que a suspeita de maus-tratos é suficiente para gerar o dever de notificação. O médico não tem papel de investigador policial ou judicial; sua função é identificar sinais clínicos e sociais de vulnerabilidade e acionar a rede de proteção para que as autoridades competentes realizem a investigação devida. O sigilo médico é mitigado pelo dever legal de proteção à vida e à dignidade da pessoa vulnerável.
Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos devem ser comunicados obrigatoriamente a qualquer um dos seguintes órgãos: autoridade policial, Ministério Público, Conselho Municipal do Idoso, Conselho Estadual do Idoso ou Conselho Nacional do Idoso. Além disso, a notificação epidemiológica deve ser feita através do SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) para fins de políticas públicas de saúde.
Sinais de negligência incluem desidratação e desnutrição sem causa clínica aparente, higiene pessoal precária, vestimentas inadequadas, falta de adesão a tratamentos médicos por falta de provisão do cuidador, presença de lesões por pressão em estágios avançados sem cuidados domiciliares e atraso na busca por assistência médica para condições agudas. O comportamento do idoso, como retraimento, medo ou confusão ao falar sobre o cuidador, também é um forte indicador.
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