HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2021
João, médico da UBS realizou visita domiciliar de uma senhora de 84 anos, que após fratura de fêmur esta acamada, a pedido do Agente Comunitário de Saúde que vinha tendo dificuldade de dialogar com a família. Logo ao entrar na casa, percebeu o odor de urina e fezes, e constatou que a ela tinha dermatite de fralda extensa e hematomas em braços. Ao exame alerta, lúcida e orientada. Com base nesse quadro, o que é recomendado o medico fazer:
Suspeita de negligência em idoso → estabelecer vínculo familiar, evitar juízo de valor, planejar intervenção.
Diante de sinais de negligência em idosos, a primeira abordagem do médico deve ser humanizada e empática, buscando construir um vínculo de confiança com a família. Evitar julgamentos precipitados é crucial para abrir canais de comunicação e entender a dinâmica familiar antes de qualquer intervenção, visando a proteção do paciente.
A suspeita de negligência ou maus-tratos em idosos é uma situação complexa e delicada que exige do médico uma abordagem cuidadosa e ética, especialmente no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS) e das visitas domiciliares. O caso de Dona Maria ilustra a importância de uma intervenção que priorize a construção de vínculo e a compreensão da dinâmica familiar antes de qualquer juízo de valor ou ação precipitada. Residentes devem estar preparados para lidar com essas situações, que são infelizmente comuns. Os sinais de negligência, como a higiene inadequada, lesões cutâneas e hematomas, devem ser investigados com sensibilidade. No entanto, a primeira reação do profissional não deve ser a denúncia imediata, mas sim a tentativa de estabelecer uma relação de confiança com a família. Muitas vezes, a negligência pode ser resultado de sobrecarga do cuidador, falta de conhecimento ou recursos, e não necessariamente de má-fé. Um diálogo aberto e empático pode revelar as causas subjacentes e abrir caminho para soluções. A construção de vínculo permite ao médico e à equipe de saúde da família atuar como mediadores e facilitadores, oferecendo suporte, orientação e buscando recursos na rede de apoio social. Somente após esgotadas as possibilidades de intervenção e apoio à família, ou em casos de risco iminente e comprovado de violência, a denúncia aos órgãos competentes (Conselho do Idoso, Ministério Público) deve ser considerada, sempre com a devida documentação e respaldo ético-legal.
Sinais de alerta incluem higiene precária (odor de urina/fezes, dermatite de fralda), lesões inexplicáveis (hematomas), desnutrição, desidratação, falta de medicação ou de acompanhamento médico, e isolamento social.
Estabelecer vínculo é fundamental para construir confiança, compreender a dinâmica familiar, identificar as dificuldades e recursos da família, e criar um ambiente propício para a intervenção e o planejamento de um cuidado mais adequado e seguro para o idoso.
Após a tentativa de vínculo e avaliação da situação, se a negligência persistir ou houver risco iminente, o médico deve acionar os órgãos competentes (Conselho Tutelar, Ministério Público, Delegacia do Idoso), sempre documentando detalhadamente a situação e as ações tomadas.
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