HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2024
Paciente feminina, 60 anos, diagnosticada com transtorno afetivo bipolar (TABP] em uso de Lítio há 20 anos. Vem à consulta encaminhada por seu psiquiatra após identificar alteração da função renal em exames de rotina. Apresenta bom controle da doença psiquiátrica e está assintomática. Traz exames laboratoriais que evidenciam: Creatinina 2,2mg/dL, Uréia 90mg/dL, Sódio 142mEq/L, Potássio 4,2mEq/L e Cálcio 8,5mg/dL. Paciente não trouxe exames prévios e relata nunca ter feito ecografia de rins e vias urinárias. Quanto à conduta mais adequada, assinale a alterativa correta:
Nefrotoxicidade por Lítio → Manter Lítio, otimizar hidratação, dosar lítio sérico, investigar outras causas de DRC.
A nefrotoxicidade pelo lítio é comum em uso crônico. Em caso de alteração renal, a interrupção abrupta do lítio pode descompensar o TABP. A conduta inicial é otimizar hidratação, dosar lítio sérico e investigar outras causas de lesão renal antes de suspender.
O lítio é um estabilizador de humor eficaz, amplamente utilizado no tratamento do transtorno afetivo bipolar (TABP) há décadas. No entanto, seu uso crônico está associado a uma série de efeitos adversos, sendo a nefrotoxicidade uma das mais preocupantes. A doença renal crônica induzida por lítio é uma complicação bem estabelecida, caracterizada por nefrite intersticial crônica, que pode levar à insuficiência renal. O monitoramento regular da função renal é, portanto, essencial. A fisiopatologia da nefrotoxicidade pelo lítio envolve a acumulação do íon lítio nas células tubulares renais, especialmente nos túbulos coletores, levando a alterações estruturais e funcionais. Em pacientes com alteração da função renal, a conduta inicial não é a interrupção abrupta do lítio, pois isso pode precipitar uma descompensação do TABP. É fundamental uma avaliação abrangente para descartar outras causas de lesão renal, como hipertensão, diabetes, uso de outros nefrotóxicos ou doenças renais primárias. A abordagem correta inclui manter o lítio (se o paciente estiver estável psiquiatricamente), otimizar a hidratação para evitar concentrações elevadas do fármaco, dosar os níveis séricos de lítio para garantir que estejam dentro da faixa terapêutica e investigar exaustivamente outras etiologias para a disfunção renal. A decisão de reduzir a dose ou suspender o lítio deve ser tomada em conjunto com o psiquiatra, considerando o balanço entre o controle da doença psiquiátrica e a progressão da doença renal.
Os efeitos adversos renais do lítio incluem diabetes insipidus nefrogênico (o mais comum), nefrite intersticial crônica e, em casos de uso prolongado, pode levar à doença renal crônica progressiva.
A interrupção súbita do lítio pode levar a uma descompensação grave do transtorno afetivo bipolar, com risco aumentado de recaídas maníacas ou depressivas, comprometendo a estabilidade psiquiátrica do paciente.
É crucial descartar causas comuns de lesão renal aguda ou crônica, como hipertensão arterial, diabetes mellitus, uso concomitante de AINEs, infecções urinárias e outras nefropatias primárias ou secundárias.
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