HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2015
Um paciente de 70 anos apresenta quadro de desidratação. Sua creatinina na admissão era de 3,5 mg/dl e, após hidratação vigorosa, caiu para 2,1 mg/dl, dois dias após a admissão. Ele está melhor, mas relata dor intensa na região dorsal. O clínico responsável pelo paciente prescreveu ibuprofeno para a analgesia. Por qual mecanismo este medicamento pode comprometer a função renal deste paciente?
AINEs inibem prostaglandinas renais → vasoconstrição arteríola aferente → ↓ filtração glomerular, especialmente em desidratados.
Em pacientes desidratados ou com hipovolemia, as prostaglandinas renais são cruciais para manter a vasodilatação da arteríola aferente e, consequentemente, o fluxo sanguíneo renal e a filtração glomerular. A inibição dessas prostaglandinas pelos AINEs leva à vasoconstrição e piora da função renal.
A insuficiência renal aguda (IRA) induzida por anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) é uma causa comum de lesão renal aguda, especialmente em populações de risco. Os AINEs exercem seu efeito analgésico e anti-inflamatório pela inibição das enzimas ciclooxigenases (COX-1 e COX-2), que são responsáveis pela síntese de prostaglandinas. No contexto renal, as prostaglandinas (como PGE2 e PGI2) desempenham um papel crucial na manutenção da vasodilatação da arteríola aferente, garantindo um fluxo sanguíneo renal adequado e, consequentemente, a taxa de filtração glomerular (TFG). Em pacientes com desidratação, hipovolemia, insuficiência cardíaca ou doença renal crônica, o sistema renina-angiotensina-aldosterona e o sistema nervoso simpático são ativados, levando à vasoconstrição renal. Nesses estados, a produção de prostaglandinas renais é aumentada para contrabalançar essa vasoconstrição e preservar a perfusão renal. A administração de AINEs nesses pacientes inibe essa resposta protetora, resultando em vasoconstrição da arteríola aferente, redução do fluxo sanguíneo renal e queda da TFG, culminando em IRA pré-renal. É fundamental que residentes e profissionais de saúde estejam cientes desse mecanismo para evitar a prescrição de AINEs em pacientes de risco. A monitorização da função renal é essencial, e alternativas analgésicas devem ser consideradas. A reversibilidade da IRA induzida por AINEs geralmente ocorre com a suspensão do medicamento e a correção da hipovolemia, mas a prevenção é sempre a melhor abordagem.
Os AINEs inibem a síntese de prostaglandinas renais, que são vasodilatadoras da arteríola aferente. Essa inibição leva à vasoconstrição da arteríola aferente, diminuindo o fluxo sanguíneo renal e a taxa de filtração glomerular, podendo causar insuficiência renal aguda.
O risco é maior em pacientes com condições que dependem das prostaglandinas para manter o fluxo renal, como desidratação, insuficiência cardíaca, cirrose com ascite, doença renal crônica preexistente e idosos.
Para pacientes com risco de nefrotoxicidade por AINEs, analgésicos como paracetamol ou opioides (com cautela e ajuste de dose se necessário) são geralmente preferíveis, dependendo da intensidade da dor e das comorbidades do paciente.
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