SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2023
Paciente de 30 anos, com história de febre, perda de peso e urina espumosa, foi ao nefrologista para avaliação adicional. Durante sua avaliação, sua creatinina estava em 2,42 mg/dl, com proteinúria de 1,3/24h. Também havia presença de hemoglobina. Além disso, o paciente apresentava história de infecções de vias aéreas superiores como rinossinusites recorrentes. Diante do quadro, o nefrologista levantou a hipótese de doença por depósito de IgA. Em relação ao caso clínico descrito e aos conhecimentos correlatos, julgue o item a seguir.Pressão arterial elevada, desde o diagnóstico, é indicador de bom prognóstico.
HAS + Proteinúria persistente + Creatinina ↑ = Pior prognóstico na Doença de Berger.
Hipertensão arterial e proteinúria persistente (> 1g/dia) são os principais preditores clínicos de progressão para doença renal crônica terminal na nefropatia por IgA.
A nefropatia por IgA é a glomerulonefrite primária mais comum no mundo. Sua apresentação clínica varia desde hematúria microscópica isolada até glomerulonefrite rapidamente progressiva. A fisiopatologia envolve a produção de IgA1 deficiente em galactose, que gera complexos imunes depositados no mesângio renal, desencadeando inflamação e fibrose. O prognóstico é altamente dependente do controle da pressão arterial e da carga de proteinúria. Pacientes que mantêm níveis pressóricos elevados desde o diagnóstico apresentam uma taxa de declínio da função renal significativamente mais rápida, tornando a hipertensão um dos sinais de alerta mais críticos para o nefrologista.
Os marcadores clínicos mais importantes de progressão para doença renal terminal incluem proteinúria persistente acima de 1g/dia, hipertensão arterial sistêmica no momento do diagnóstico e elevação da creatinina sérica inicial. Histologicamente, a Classificação de Oxford (MEST-C) ajuda a estratificar o risco.
O diagnóstico de certeza exige biópsia renal com achado de depósitos granulares mesangiais de IgA à imunofluorescência. Clinicamente, suspeita-se em casos de hematúria macroscópica após infecções de vias aéreas superiores (sinfaringítica).
O pilar do tratamento é o controle rigoroso da pressão arterial e redução da proteinúria com bloqueadores do sistema renina-angiotensina-aldosterona (IECA ou BRA). Corticosteroides são reservados para casos com proteinúria persistente apesar da terapia otimizada.
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