AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Nefropatia por imunoglobulina A (IgA) é a deposição de imunocomplexos de IgA nos glomérulos. Sobre esta situação analise as alternativas abaixo: I. A apresentação mais comum é a hematúria. II. Os níveis séricos de IgA não têm nenhum valor diagnóstico. III. Seu diagnóstico é por tomografia contrastada de abdome. Assinale a alternativa correta:
Nefropatia IgA → Hematúria pós-faringite + IgA sérica normal + Biópsia (depósitos mesangiais).
A Nefropatia por IgA é a glomerulonefrite primária mais comum no mundo, caracterizada por hematúria e diagnóstico definitivo via biópsia renal com imunofluorescência.
A Nefropatia por IgA (NIgA) é uma doença autoimune onde ocorre a formação de imunocomplexos contendo IgA1 com glicosilação anômala. Esses complexos depositam-se no mesângio renal, ativando o sistema complemento e gerando inflamação glomerular. É a causa mais frequente de hematúria glomerular isolada. O manejo clínico foca no controle rigoroso da pressão arterial e redução da proteinúria, preferencialmente com inibidores do sistema renina-angiotensina (IECA ou BRA), que possuem efeito nefroprotetor comprovado. O uso de corticosteroides ou novos agentes imunossupressores é reservado para pacientes com alto risco de progressão (proteinúria persistente > 0.75-1g/dia apesar do tratamento otimizado). O prognóstico é variável, mas cerca de 20-40% dos pacientes podem evoluir para doença renal terminal em 20 anos.
A apresentação mais clássica é a hematúria macroscópica recorrente que ocorre simultaneamente ou logo após (24-48 horas) uma infecção das vias aéreas superiores (hematúria sinfaringítica). Isso a diferencia da GNA pós-estreptocócica, que tem um período de incubação de 1 a 3 semanas. Outros pacientes podem apresentar hematúria microscópica persistente descoberta em exames de rotina, por vezes acompanhada de proteinúria leve. Em casos mais graves, pode haver síndrome nefrítica aguda ou progressão lenta para insuficiência renal crônica.
Embora a patogênese envolva a deposição de polímeros de IgA1 deficientes em galactose, os níveis séricos totais de IgA são normais na maioria dos pacientes. Mesmo quando elevados, o achado é inespecífico, podendo ocorrer em diversas outras condições ou mesmo em indivíduos saudáveis. Portanto, a dosagem de IgA sérica não tem valor diagnóstico nem prognóstico estabelecido, não devendo ser utilizada para confirmar a Doença de Berger.
O diagnóstico definitivo exige obrigatoriamente a realização de uma biópsia renal. Na microscopia óptica, observa-se expansão mesangial e proliferação celular. No entanto, o achado patognomônico é revelado pela imunofluorescência, que demonstra depósitos granulares difusos de IgA predominantemente no mesângio glomerular, frequentemente acompanhados de C3 e IgG. Exames de imagem, como a tomografia computadorizada, não têm papel no diagnóstico desta patologia glomerular.
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