UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Homem de 37 anos está sendo acompanhado no ambulatório há cinco anos. Não tem outra patologia conhecida. Sua doença foi notada no exame pré-admissional do atual emprego, quando foi referido para o seguimento. Seu problema é hematúria intermitente com hemácias dismórficas. Com diagnóstico de nefropatia por IgA, tem proteinúria acessada semestralmente. Nas duas últimas aferições, verificou-se que a proteinúria vem crescendo em níveis em torno de 600 e 800 mg por 24h. A primeira droga que deveria ser tentada nesse momento é:
Nefropatia por IgA + Proteinúria > 0.5g/dia → IECA ou BRA (Nefroproteção).
O pilar do tratamento inicial na Nefropatia por IgA com proteinúria persistente é o bloqueio do sistema renina-angiotensina para reduzir a pressão intraglomerular e a progressão da fibrose.
A Nefropatia por IgA é a glomerulopatia primária mais comum no mundo. Caracteriza-se pelo depósito de imunocomplexos de IgA galactose-deficiente no mesângio renal. O curso clínico é variável, desde hematúria microscópica isolada até insuficiência renal terminal. O manejo atual preconiza a terapia de suporte otimizada como primeiro passo. O uso de IECAs ou BRAs é fundamental, independentemente da presença de hipertensão, devido ao seu efeito nefroprotetor específico. No caso clínico, o aumento da proteinúria para níveis de 800 mg/24h em um paciente previamente estável indica a necessidade de intervenção para reduzir o risco de perda de função renal futura.
O tratamento medicamentoso deve ser iniciado quando há evidência de progressão da doença, definida principalmente por proteinúria persistente acima de 0,5 g/dia, hipertensão arterial ou queda da taxa de filtração glomerular. O objetivo inicial é o controle pressórico rigoroso e a redução da proteinúria para níveis abaixo de 0,5-1,0 g/dia.
Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), como o Captopril, promovem a vasodilatação da arteríola eferente renal. Isso reduz a pressão hidrostática intraglomerular, o que diminui diretamente a filtração de proteínas e exerce um efeito antifibrótico a longo prazo, retardando a evolução para insuficiência renal crônica.
Os corticoides são geralmente reservados para pacientes que mantêm proteinúria acima de 0,75-1,0 g/dia mesmo após 3 a 6 meses de terapia otimizada com doses máximas toleradas de IECA ou BRA, ou em casos de glomerulonefrite rapidamente progressiva (presença de crescentes na biópsia).
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