Nefropatia por IgA: Diagnóstico e Conduta na Glomerulonefrite

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2015

Enunciado

Homem de 24 anos apresenta história de edema de membros inferiores (2+/4+) e hipertensão com início há dois meses (PA 160 x 110 mmHg). Sumário de urina apresenta proteinúria 3+ e 58 hemácias por campo. Apresenta creatinina de 1,2 mg/dl, ureia de 57 mg/dl e proteinúria de 24h de 4 gramas. Relata antecedente de amigdalite bacteriana há cinco meses. Assinale a alternativa que apresenta hipótese diagnóstica compatível para o caso com respectiva conduta. 

Alternativas

  1. A) Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA), devendo iniciar prednisona 1 mg/kg/dia e realizar biópsia renal para confirmação.
  2. B) GNDA, devendo ser iniciado controle pressórico com diurético, já que se encontra hipervolêmico. Não há necessidade de biópsia renal devido à alta probabilidade clínica. 
  3. C) Glomerulonefrite membranoproliferativa, devendo realizar biópsia renal apenas para confirmação, já que não há qualquer medida de controle efetiva a ser realizada para essa glomerulopatia. 
  4. D) Nefropatia por IgA, devendo realizar biópsia renal e, caso confirme esse diagnóstico, considerar início de Prednisona 1 mg/kg/dia.
  5. E) Glomerulonefrite crescêntica pauci-imune, devendo realizar pulsoterapia com ciclofosfamida venosa imediatamente, sem necessidade de fazer biópsia renal.

Pérola Clínica

Proteinúria + hematúria + HAS + edema + amigdalite prévia (5 meses) → Nefropatia por IgA (doença de Berger).

Resumo-Chave

O quadro clínico de um homem jovem com edema, hipertensão, proteinúria e hematúria, associado a um antecedente de amigdalite bacteriana há 5 meses, é sugestivo de Nefropatia por IgA. Diferente da GNDA pós-estreptocócica, que tem latência menor (1-3 semanas), a IgA pode ter latência maior ou ser concomitante à infecção. A biópsia renal é essencial para confirmação e guia terapêutico.

Contexto Educacional

A Nefropatia por IgA, também conhecida como Doença de Berger, é a glomerulonefrite primária mais comum no mundo, caracterizada por depósitos de imunocomplexos contendo IgA no mesângio glomerular. Afeta predominantemente adultos jovens, com uma incidência maior em homens. Clinicamente, pode se manifestar com hematúria macroscópica recorrente (muitas vezes após infecções de vias aéreas superiores), hematúria microscópica persistente, proteinúria (que pode ser nefrótica), hipertensão e, em alguns casos, insuficiência renal progressiva. O diagnóstico definitivo da Nefropatia por IgA é estabelecido por biópsia renal, que demonstra depósitos mesangiais de IgA por imunofluorescência. A biópsia também é fundamental para estadiar a doença e determinar o prognóstico, utilizando classificações como a de Oxford. O antecedente de amigdalite bacteriana há cinco meses, associado a edema, hipertensão, proteinúria e hematúria, é um quadro que levanta a suspeita de Nefropatia por IgA, especialmente pela latência prolongada em relação à infecção. A conduta terapêutica depende da gravidade da doença. Pacientes com proteinúria significativa (>0,5-1g/dia) ou deterioração da função renal podem se beneficiar de inibidores da ECA/BRA e, em alguns casos, de corticosteroides (como prednisona 1 mg/kg/dia). O controle pressórico é essencial. A biópsia renal é indispensável para confirmar o diagnóstico e orientar a terapia, especialmente em casos de glomerulonefrite crescêntica ou outras formas agressivas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Nefropatia por IgA?

O diagnóstico definitivo de Nefropatia por IgA é feito por biópsia renal, que revela depósitos de IgA no mesângio glomerular. Clinicamente, suspeita-se em casos de hematúria (macro ou microscópica), proteinúria e, por vezes, hipertensão e disfunção renal.

Como diferenciar Nefropatia por IgA de Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica?

A Nefropatia por IgA frequentemente se manifesta durante ou logo após uma infecção de vias aéreas superiores (latência curta ou concomitante), enquanto a GNDA pós-estreptocócica tem um período de latência mais longo, geralmente de 1 a 3 semanas após a infecção.

Qual a importância da biópsia renal na Nefropatia por IgA?

A biópsia renal é crucial para confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão da lesão glomerular e guiar o tratamento, que pode incluir corticosteroides em casos de proteinúria significativa ou progressão da doença.

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