Nefropatia por IgA: Tratamento da Proteinúria com IECA/BRA

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2023

Enunciado

Considerando as nefropatias, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) na nefropatia por IgA, há recomendação para que se inicie o uso de inibidores de enzima conversora e/ou bloqueador de receptor de angiotensina II, diante de proteinúria persistente.
  2. B) a presença de cilindros hemáticos no exame urinário é mais sugestiva de quadro intersticial.
  3. C) a lesão histológica mais vista na síndrome nefrótica é a glomerulonefrite proliferativa mesangial segmentar e difusa.
  4. D) na necrose tubular aguda, 80% dos pacientes apresentam quadro inicial de artralgia, erupção cutânea e eosinofilia.
  5. E) fração de excreção de sódio < 1% sugere a presença de necrose tubular aguda.

Pérola Clínica

Nefropatia por IgA com proteinúria persistente → IECA/BRA para nefroproteção.

Resumo-Chave

Na nefropatia por IgA, a presença de proteinúria persistente é um marcador de progressão da doença renal. O uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina II (BRA) é fundamental para reduzir a proteinúria e proteger a função renal.

Contexto Educacional

As nefropatias representam um vasto grupo de doenças que afetam os rins, com diversas etiologias e manifestações. A nefropatia por IgA, ou Doença de Berger, é a glomerulonefrite primária mais comum no mundo, caracterizada pela deposição de imunocomplexos de IgA no mesângio glomerular. É uma causa importante de doença renal crônica e, por vezes, de doença renal terminal. A fisiopatologia da nefropatia por IgA envolve uma resposta imune anormal com produção de IgA galactose-deficiente e formação de imunocomplexos que se depositam no glomérulo, desencadeando inflamação. O diagnóstico é feito por biópsia renal. A suspeita clínica surge em pacientes com hematúria macroscópica recorrente (muitas vezes após infecção de vias aéreas superiores) ou proteinúria persistente. A progressão da doença é fortemente correlacionada com a magnitude da proteinúria e a presença de hipertensão. O tratamento da nefropatia por IgA visa controlar a proteinúria e a pressão arterial para retardar a progressão da doença renal. A pedra angular do tratamento é o uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina II (BRA), que devem ser iniciados em pacientes com proteinúria persistente (>0,5-1 g/dia), mesmo na ausência de hipertensão. Outras terapias, como corticosteroides ou imunossupressores, podem ser consideradas em casos de doença mais agressiva ou rápida progressão.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da proteinúria na nefropatia por IgA?

A proteinúria persistente na nefropatia por IgA é um forte preditor de progressão para doença renal crônica terminal, indicando a necessidade de intervenção terapêutica para sua redução.

Por que IECA/BRA são indicados na nefropatia por IgA com proteinúria?

IECA e BRA reduzem a proteinúria ao diminuir a pressão intraglomerular e ter efeitos antiproliferativos e antifibróticos, protegendo os rins da progressão da doença, mesmo em pacientes normotensos.

Como diferenciar necrose tubular aguda de lesão renal pré-renal?

A fração de excreção de sódio (FENa) é um marcador útil: FENa < 1% sugere causa pré-renal, enquanto FENa > 2% é mais consistente com necrose tubular aguda, indicando falha na reabsorção tubular de sódio.

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