Glomerulopatias: Diferenciação e Prognóstico

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2020

Enunciado

Sobre as glomerulopatias, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A)  Embora a proteinúria seja característica das doenças do espectro nefrótico, pode também estar presente nas doenças do espectro nefrítico, geralmente, entre 0,3 e 3g/24h.
  2. B)  Dentre as glomerulopatias que cursam classicamente com consumo de complemento destacam-se: glomerulonefrite pós-estreptocócia, nefrite lúpica e glomerulonefrite membranoproliferativa primária.
  3. C)  Tanto doenças glomerulares do espectro nefrótico, quanto do aspecto nefrítico, podem cursar com glomerulopatia crônica e evoluir para doença renal crônica estágio 5 com necessidade de terapia renal substitutiva.
  4. D)  A nefropatia pelo IgA (doença de Berger), é a causa mais comum de hematúria glomerular, e seu curso é quase que invariavelmente benigno, sem comprometimento da função renal, proteinúria ou hipertensão. Mesmo nos raros casos em que há comprometimento da função renal, é excelente a resposta à terapia imunossupressora.

Pérola Clínica

Nefropatia por IgA (doença de Berger) NÃO tem curso invariavelmente benigno; pode evoluir para DRC e resposta à imunossupressão é variável.

Resumo-Chave

A nefropatia por IgA é a causa mais comum de hematúria glomerular, mas seu curso clínico não é sempre benigno. Uma parcela significativa dos pacientes pode progredir para doença renal crônica, e a resposta à terapia imunossupressora é variável, não sendo universalmente excelente.

Contexto Educacional

As glomerulopatias representam um grupo heterogêneo de doenças que afetam os glomérulos renais, podendo se manifestar clinicamente como síndromes nefríticas, nefróticas ou formas mistas. A proteinúria, embora característica do espectro nefrótico, pode estar presente em graus variados nas doenças do espectro nefrítico, geralmente em níveis subnefróticos (0,3 a 3g/24h), refletindo a lesão glomerular. O consumo de complemento é um achado laboratorial importante que auxilia no diagnóstico diferencial de algumas glomerulopatias. Doenças como a glomerulonefrite pós-estreptocócica, a nefrite lúpica e a glomerulonefrite membranoproliferativa primária são classicamente associadas à ativação e consumo do sistema complemento. A avaliação dos níveis séricos de C3 e C4 é, portanto, fundamental na investigação dessas condições. Independentemente do espectro clínico inicial, tanto as doenças glomerulares nefróticas quanto as nefríticas têm o potencial de progredir para glomerulopatia crônica e, eventualmente, para doença renal crônica estágio 5, necessitando de terapia renal substitutiva. A nefropatia por IgA, ou doença de Berger, é a causa mais comum de hematúria glomerular primária em todo o mundo. Caracteriza-se por depósitos de IgA no mesângio glomerular. Contrariamente à afirmação de um curso 'invariavelmente benigno' e 'excelente resposta à terapia imunossupressora', a nefropatia por IgA possui um curso clínico bastante variável. Uma proporção significativa de pacientes (cerca de 20-40%) pode evoluir para doença renal crônica terminal ao longo de 10-20 anos, e a resposta à terapia imunossupressora é complexa, nem sempre eficaz e depende de fatores como a gravidade da doença e a presença de fatores de risco para progressão. O manejo é individualizado e focado no controle da proteinúria e da pressão arterial.

Perguntas Frequentes

Quais as principais diferenças entre as glomerulopatias do espectro nefrítico e nefrótico?

As glomerulopatias do espectro nefrítico são caracterizadas por inflamação glomerular, manifestando-se com hematúria, hipertensão, oligúria e proteinúria subnefrótica. Já as do espectro nefrótico apresentam proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia, com pouca ou nenhuma inflamação glomerular.

Quais glomerulopatias classicamente cursam com consumo de complemento?

As glomerulopatias que classicamente cursam com consumo de complemento (C3 e/ou C4 baixos) incluem a glomerulonefrite pós-estreptocócica, a nefrite lúpica e a glomerulonefrite membranoproliferativa primária (especialmente tipos I e II). A dosagem do complemento é um exame importante no diagnóstico diferencial.

Qual o prognóstico da nefropatia por IgA (doença de Berger)?

O prognóstico da nefropatia por IgA é variável. Embora muitos pacientes apresentem um curso benigno, uma parcela significativa (20-40% em 10-20 anos) pode evoluir para doença renal crônica terminal. Fatores de risco para progressão incluem proteinúria persistente, hipertensão, disfunção renal no diagnóstico e achados histopatológicos específicos.

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