IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2020
Sobre as glomerulopatias, assinale a alternativa INCORRETA:
Nefropatia por IgA (doença de Berger) NÃO tem curso invariavelmente benigno; pode evoluir para DRC e resposta à imunossupressão é variável.
A nefropatia por IgA é a causa mais comum de hematúria glomerular, mas seu curso clínico não é sempre benigno. Uma parcela significativa dos pacientes pode progredir para doença renal crônica, e a resposta à terapia imunossupressora é variável, não sendo universalmente excelente.
As glomerulopatias representam um grupo heterogêneo de doenças que afetam os glomérulos renais, podendo se manifestar clinicamente como síndromes nefríticas, nefróticas ou formas mistas. A proteinúria, embora característica do espectro nefrótico, pode estar presente em graus variados nas doenças do espectro nefrítico, geralmente em níveis subnefróticos (0,3 a 3g/24h), refletindo a lesão glomerular. O consumo de complemento é um achado laboratorial importante que auxilia no diagnóstico diferencial de algumas glomerulopatias. Doenças como a glomerulonefrite pós-estreptocócica, a nefrite lúpica e a glomerulonefrite membranoproliferativa primária são classicamente associadas à ativação e consumo do sistema complemento. A avaliação dos níveis séricos de C3 e C4 é, portanto, fundamental na investigação dessas condições. Independentemente do espectro clínico inicial, tanto as doenças glomerulares nefróticas quanto as nefríticas têm o potencial de progredir para glomerulopatia crônica e, eventualmente, para doença renal crônica estágio 5, necessitando de terapia renal substitutiva. A nefropatia por IgA, ou doença de Berger, é a causa mais comum de hematúria glomerular primária em todo o mundo. Caracteriza-se por depósitos de IgA no mesângio glomerular. Contrariamente à afirmação de um curso 'invariavelmente benigno' e 'excelente resposta à terapia imunossupressora', a nefropatia por IgA possui um curso clínico bastante variável. Uma proporção significativa de pacientes (cerca de 20-40%) pode evoluir para doença renal crônica terminal ao longo de 10-20 anos, e a resposta à terapia imunossupressora é complexa, nem sempre eficaz e depende de fatores como a gravidade da doença e a presença de fatores de risco para progressão. O manejo é individualizado e focado no controle da proteinúria e da pressão arterial.
As glomerulopatias do espectro nefrítico são caracterizadas por inflamação glomerular, manifestando-se com hematúria, hipertensão, oligúria e proteinúria subnefrótica. Já as do espectro nefrótico apresentam proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia, com pouca ou nenhuma inflamação glomerular.
As glomerulopatias que classicamente cursam com consumo de complemento (C3 e/ou C4 baixos) incluem a glomerulonefrite pós-estreptocócica, a nefrite lúpica e a glomerulonefrite membranoproliferativa primária (especialmente tipos I e II). A dosagem do complemento é um exame importante no diagnóstico diferencial.
O prognóstico da nefropatia por IgA é variável. Embora muitos pacientes apresentem um curso benigno, uma parcela significativa (20-40% em 10-20 anos) pode evoluir para doença renal crônica terminal. Fatores de risco para progressão incluem proteinúria persistente, hipertensão, disfunção renal no diagnóstico e achados histopatológicos específicos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo