Nefropatia Membranosa: Câncer de Pulmão e Síndrome Nefrótica

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023

Enunciado

Idosa, 65 anos, tabagista desde os 15 anos, em estadiamento de adenocarcinoma de pulmão, o qual fora descoberto em investigação de síndrome consumptiva. Procurou atendimento por edema progressivo de membros inferiores e superiores há 2 semanas. Ao exame, PA 160x90 mmHg, FC 92 bpm, ausculta cardiopulmonar com roncos e sibilos ocasionais, edema simétrico de membros inferiores e superiores. Traz os seguintes exames: hemoglobina 14,8 g/dL, leucócitos 7850/mm³ , neutrófilos 5240/mm³ , plaquetas 213000/mm³ , ureia 62mg/dL, creatinina 2,2mg/dL, sódio 128 mmol/l, potássio 4,3 mmol/l, magnésio 2,1mg/dl cálcio 9,4 mg/dl, albumina 2,3g/dl. Ecocardiograma normal. Sumário de urina com proteína 2+, nitrito negativo, esterases leucocitárias ausentes, 3 leucócitos por campo, 2 hemácias por campo, raras bactérias. Assinale a alternativa com diagnóstico mais provável.

Alternativas

  1. A) Doença de lesão mínima.
  2. B) Nefropatia membranosa.
  3. C) Nefropatia por IgA.
  4. D) Amiloidose renal.

Pérola Clínica

Síndrome nefrótica em idoso com câncer → investigar nefropatia membranosa paraneoplásica.

Resumo-Chave

A nefropatia membranosa é a causa mais comum de síndrome nefrótica em adultos associada a tumores sólidos, especialmente adenocarcinoma de pulmão. A presença de edema, hipoalbuminemia e proteinúria significativa em um paciente oncológico deve levantar a suspeita.

Contexto Educacional

A nefropatia membranosa é uma das causas mais comuns de síndrome nefrótica primária em adultos, mas também pode ser secundária a diversas condições, incluindo doenças autoimunes, infecções e, notavelmente, malignidades. Em pacientes idosos, especialmente aqueles com histórico de tabagismo e diagnóstico recente de câncer, como o adenocarcinoma de pulmão, a associação paraneoplásica deve ser fortemente considerada. A síndrome nefrótica é caracterizada por proteinúria maciça (>3,5g/24h), hipoalbuminemia, edema e, frequentemente, hiperlipidemia. A identificação precoce da causa secundária é crucial para o manejo adequado e prognóstico do paciente. A fisiopatologia da nefropatia membranosa paraneoplásica envolve a deposição de imunocomplexos contendo antígenos tumorais ou a ativação de uma resposta autoimune contra antígenos glomerulares, como o PLA2R, que pode ser desencadeada pela presença do tumor. O diagnóstico é confirmado por biópsia renal, que revela espessamento da membrana basal glomerular e depósitos subepiteliais de imunocomplexos. A investigação da malignidade subjacente é essencial, e o tratamento da neoplasia primária pode levar à remissão da doença renal. O tratamento da nefropatia membranosa paraneoplásica foca no controle da malignidade subjacente, além do manejo sintomático da síndrome nefrótica, que inclui diuréticos para o edema, inibidores da ECA/BRA para a proteinúria e estatinas para a dislipidemia. Em alguns casos, imunossupressores podem ser considerados, mas a prioridade é a abordagem do câncer. O prognóstico renal está intimamente ligado ao controle da doença oncológica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da nefropatia membranosa associada a câncer?

Os sinais e sintomas são os da síndrome nefrótica, incluindo edema (principalmente em membros inferiores e face), proteinúria maciça, hipoalbuminemia e, por vezes, dislipidemia. Em pacientes com câncer, pode haver também sintomas constitucionais da malignidade subjacente.

Como o câncer de pulmão pode causar nefropatia membranosa?

A nefropatia membranosa associada a câncer é considerada uma síndrome paraneoplásica. Antígenos tumorais podem ser liberados na circulação, formando imunocomplexos que se depositam na membrana basal glomerular ou ativando uma resposta autoimune contra antígenos renais, como o receptor de fosfolipase A2 (PLA2R).

Qual a importância da biópsia renal no diagnóstico de nefropatia membranosa paraneoplásica?

A biópsia renal é fundamental para confirmar o diagnóstico de nefropatia membranosa e excluir outras causas de síndrome nefrótica. A histopatologia mostrará espessamento da membrana basal glomerular com depósitos subepiteliais de imunocomplexos, e a imunofluorescência revelará depósitos granulares de IgG e C3.

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