MedEvo Simulado — Prova 2026
Homem de 65 anos, tabagista (carga tabágica de 50 maços-ano), procura atendimento médico com queixa de edema progressivo em membros inferiores que se iniciou há cerca de um mês, acompanhado de urina muito espumosa. Nega febre, artralgia, lesões cutâneas ou perda de peso recente. Ao exame físico, apresenta-se normotenso (PA 130x85 mmHg), com edema simétrico 3+/4+ em membros inferiores até o nível das coxas, sem outras alterações. Os exames laboratoriais mostram: creatinina de 1,1 mg/dL; albumina sérica de 2,2 g/dL; colesterol total de 310 mg/dL; e proteinúria de 24 horas de 5,8 gramas. O sedimento urinário revela cilindros graxos, com ausência de hemácias ou cilindros hemáticos. Os níveis de complementos C3 e C4 estão normais, e as sorologias para HIV, sífilis e hepatites B e C são negativas. Com base no quadro clínico apresentado, é correto afirmar que:
Síndrome Nefrótica em idoso + Tabagismo → Pensar em Nefropatia Membranosa e Neoplasia Oculta.
A nefropatia membranosa é a causa mais comum de síndrome nefrótica em idosos e exige investigação de causas secundárias, especialmente neoplasias sólidas em tabagistas.
A síndrome nefrótica é definida pela tríade de proteinúria > 3,5g/24h, hipoalbuminemia e edema. No idoso, a Nefropatia Membranosa (NM) destaca-se pela sua apresentação insidiosa e associação com estados de hipercoagulabilidade (trombose de veia renal). Histologicamente, caracteriza-se pelo espessamento da alça capilar glomerular devido ao depósito subepitelial de imunocomplexos. A importância de identificar a NM como paraneoplásica reside no fato de que o tratamento da neoplasia de base frequentemente leva à remissão da síndrome nefrótica. O tabagismo de carga elevada (50 maços-ano) é um fator de risco crítico para câncer de pulmão, tornando a investigação radiológica do tórax mandatória neste paciente.
A nefropatia membranosa (NM) pode ser idiopática (primária) ou secundária. Em adultos acima de 60 anos, cerca de 20-25% dos casos de NM são secundários a neoplasias sólidas (pulmão, cólon, estômago, mama). O mecanismo é paraneoplásico, onde antígenos tumorais ou anticorpos formam imunocomplexos que se depositam na membrana basal glomerular. Portanto, o diagnóstico de NM em um idoso tabagista obriga o rastreio oncológico.
A diferenciação definitiva é histopatológica (biópsia). No entanto, pistas clínicas ajudam: a Doença de Lesões Mínimas é comum em crianças; a GESF associa-se a obesidade e HIV; a Membranoproliferativa cursa com queda de complemento (C3/C4). A Nefropatia Membranosa é a principal hipótese no idoso com complemento normal e proteinúria puramente nefrótica (sem hematúria importante).
Além da biópsia renal, deve-se solicitar a pesquisa do anticorpo anti-PLA2R (receptor de fosfolipase A2), que é positivo em 70-80% dos casos primários. Se negativo, a suspeita de causa secundária aumenta. O rastreio para idosos inclui TC de tórax/abdome, colonoscopia e exames específicos conforme a história clínica (como o tabagismo pesado no caso).
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