FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Homem de 69 anos é avaliado por quadro de edema de membros inferiores há 4 semanas. A colonoscopia de rastreamento realizada há 1 ano foi normal. Relata tabagismo de 45 maços-ano, mas parou há 2 anos. Não há outro histórico relevante e não há uso de medicamentos. Ao exame físico: os sinais vitais são normais; edema simétrico de 2 mm nas extremidades inferiores até tornozelos; o restante do exame é normal. Exames de sangue: albumina: 2,9 g/dL; colesterol total: 311 mg/dL; creatinina: 1,0 mg/dL. Exame de urina: excreção de proteínas em 24 horas de 6.300 mg. A biópsia renal mostra nefropatia membranosa com coloração negativa para o antígeno do receptor de fosfolipase A2. Nesse paciente, o teste mais apropriado a ser realizado é:
Nefropatia membranosa PLA2R negativo em idoso tabagista → investigar malignidade oculta, especialmente câncer de pulmão.
A nefropatia membranosa em idosos, especialmente com fatores de risco como tabagismo e ausência de anticorpos anti-PLA2R (que indicam forma primária), deve levantar forte suspeita de causa secundária, sendo a malignidade uma das mais importantes. O câncer de pulmão é frequentemente associado e uma tomografia de tórax é um rastreamento apropriado.
A nefropatia membranosa é uma das causas mais comuns de síndrome nefrótica em adultos, caracterizada por proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Pode ser primária (idiopática) ou secundária a outras condições. A forma primária é frequentemente associada à presença de anticorpos contra o receptor da fosfolipase A2 (PLA2R) na membrana dos podócitos. No entanto, em pacientes idosos, especialmente aqueles com fatores de risco como tabagismo, a nefropatia membranosa com coloração negativa para PLA2R deve levantar forte suspeita de uma causa secundária, sendo a malignidade uma das mais importantes. Vários tipos de câncer, incluindo pulmão, cólon, mama e linfomas, podem estar associados à nefropatia membranosa como uma manifestação paraneoplásica. A idade avançada e o histórico de tabagismo no paciente do enunciado são alarmes para a investigação de neoplasias. Diante desse cenário, a tomografia de tórax sem contraste é o teste mais apropriado. O câncer de pulmão é uma das malignidades mais frequentemente associadas à nefropatia membranosa, e o histórico de tabagismo do paciente aumenta significativamente esse risco. A investigação de malignidade deve ser abrangente e guiada pelos fatores de risco do paciente, mas a tomografia de tórax é um passo inicial crucial para rastrear uma das causas mais comuns e graves.
As causas secundárias incluem doenças autoimunes (lúpus eritematoso sistêmico), infecções (hepatite B, hepatite C, sífilis), uso de medicamentos (AINEs, sais de ouro, D-penicilamina) e, crucialmente, malignidades (câncer de pulmão, cólon, mama, linfomas).
O anticorpo anti-PLA2R é um marcador específico para a nefropatia membranosa primária (idiopática). Sua ausência, especialmente em pacientes com fatores de risco para causas secundárias (como idade avançada e tabagismo), aumenta a probabilidade de uma etiologia secundária, exigindo investigação mais aprofundada.
O tabagismo é um fator de risco bem estabelecido para diversas malignidades, incluindo o câncer de pulmão. Em pacientes com nefropatia membranosa secundária a uma malignidade, o câncer de pulmão é uma associação comum, e o histórico de tabagismo reforça a necessidade de rastreamento para essa neoplasia.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo