PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2021
Uma mulher de 75 anos com história de DM2, HAS, Osteoartrite, DPOC e tabagismo 30 maços/ano dá entrada no Pronto Socorro com história de dispneia e tosse há 1 mês. Tem antecedente de uso de diclofenaco e corticoides há cerca de 1 mês. O exame físico e radiológico eram compatíveis com DPOC. Achado de exame: massa no pulmão esquerdo. Foi solicitada a internação e inicialmente requisitado uma Tomografia de Tórax com contraste que confirmou a massa periférica justa-pleural com linfadenopatia mediastinal à esquerda. No segundo dia de internação, o débito urinário caiu para 800 mL em 24 horas e a creatinina subiu de 1,4 mg/dL para 2,9mg/dL. Qual das opções abaixo seria a que explica a falência renal deste paciente?
Elevação aguda da creatinina após contraste em paciente com comorbidades → Nefropatia Induzida por Contraste.
Em pacientes idosos com múltiplas comorbidades (DM2, HAS, DPOC) e uso prévio de AINEs, a administração de contraste iodado para exames de imagem é um fator de risco significativo para injúria renal aguda. A elevação da creatinina e a oligúria após o procedimento são altamente sugestivas de nefropatia induzida por contraste.
A nefropatia induzida por contraste (NIC) é uma causa comum de injúria renal aguda (IRA) em pacientes hospitalizados, especialmente aqueles com fatores de risco preexistentes. É definida como a deterioração aguda da função renal após a administração de contraste iodado, na ausência de outras causas. A incidência varia de 2% em pacientes de baixo risco a até 50% em pacientes de alto risco, como idosos com diabetes, insuficiência renal crônica, insuficiência cardíaca e uso de nefrotóxicos. A fisiopatologia da NIC envolve vasoconstrição renal e toxicidade direta tubular pelos agentes de contraste. O diagnóstico é clínico-laboratorial, com elevação da creatinina sérica e/ou redução do débito urinário nas primeiras 24-72 horas após a exposição. A prevenção é a melhor estratégia, incluindo hidratação adequada, uso de menor volume de contraste, e suspensão temporária de medicamentos nefrotóxicos. O reconhecimento precoce dos fatores de risco e a implementação de medidas preventivas são cruciais para evitar complicações graves. Para residentes, é fundamental estar atento aos pacientes com múltiplas comorbidades que serão submetidos a exames com contraste. A avaliação da função renal pré-procedimento e a monitorização pós-procedimento são mandatórias. A diferenciação da NIC de outras causas de IRA, como a necrose tubular aguda por AINEs, baseia-se no histórico de exposição e no tempo de aparecimento da disfunção renal.
Os principais fatores de risco incluem doença renal crônica pré-existente, idade avançada, diabetes mellitus, insuficiência cardíaca congestiva, desidratação, uso concomitante de drogas nefrotóxicas (como AINEs e diuréticos) e alta dose ou repetição de contraste.
O diagnóstico é feito pela elevação da creatinina sérica em 0,5 mg/dL ou um aumento de 25% ou mais em relação ao valor basal, dentro de 24 a 72 horas após a administração do contraste iodado, na ausência de outras causas para a injúria renal aguda.
As medidas preventivas incluem hidratação venosa com soro fisiológico antes e após o procedimento, uso da menor dose possível de contraste, evitar contraste em pacientes de alto risco, suspender medicamentos nefrotóxicos (como AINEs e metformina) e, em alguns casos, o uso de N-acetilcisteína, embora sua eficácia seja controversa.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo