HAS e DM2 com Albuminúria: Melhor Conduta Terapêutica

HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2022

Enunciado

A Sra. J.M.A. 61 anos, feminina, negra, portadora de diabetes mellitus tipo 2 e Hipertensão arterial sistêmica há 30 anos, é admitida para seguimento ambulatorial por dificuldades de controle dos valores pressóricos e glicêmicos. Fazia uso de hidroclorotiazida 25mg/dia e metformina XR 500 g/2x Dia. Exames laboratoriais: glicemia de jejum 131 mg/dL; HA1C: 6,9%; Uréia: 45 mg/dL; creatinina: 0,98 mg/dL; Albuminuria: 420mg/g de creatinina; sódio plasmático: 141 mEq/L; potássio plasmático: 4.3mEq/L. Apresentava ao exame físico em Bom estado geral, eupneica, acianótica, anictérica, hidratada. PA: 140 a 90 mmHg; FC: 65 bpm. Demais exames sem alterações. Qual seria a conduta mais adequada para esse paciente?

Alternativas

  1. A) Iniciar anlodipino 5mg/dia.
  2. B) Iniciar losartana 25mg/dia.
  3. C) Iniciar o atenolol 50mg/dia.
  4. D) Suspender a hidroclorotiazida e iniciar a clortalidona 25mg/dia.

Pérola Clínica

DM2 + HAS + Albuminúria → IECA/BRA são primeira linha para nefroproteção.

Resumo-Chave

A paciente apresenta diabetes tipo 2, hipertensão e albuminúria significativa (420mg/g), indicando nefropatia diabética. IECA (Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina) ou BRA (Bloqueadores do Receptor de Angiotensina) são a primeira escolha para nefroproteção e controle pressórico nesses casos, mesmo com a pressão arterial não tão elevada.

Contexto Educacional

Pacientes com diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial sistêmica, especialmente com longa duração da doença, apresentam alto risco de desenvolver nefropatia diabética, uma das principais causas de doença renal crônica. A presença de albuminúria, como 420mg/g de creatinina no caso, é um marcador precoce e importante de lesão renal e um preditor de progressão da doença renal e de eventos cardiovasculares. O manejo desses pacientes exige uma abordagem multifacetada que inclua controle glicêmico e pressórico rigorosos. A escolha da terapia anti-hipertensiva é crucial. Para pacientes diabéticos com albuminúria, os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou os bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) são a primeira linha de tratamento. Esses medicamentos não apenas controlam a pressão arterial, mas também oferecem proteção renal específica ao reduzir a pressão intraglomerular e a excreção de albumina, retardando a progressão da nefropatia. A losartana, um BRA, seria uma excelente escolha para iniciar ou otimizar o tratamento neste cenário. Além da terapia medicamentosa, é fundamental o controle do estilo de vida, a monitorização regular da função renal e da albuminúria, e o manejo de outras comorbidades. A combinação de hidroclorotiazida com um BRA pode ser necessária para atingir as metas pressóricas, mas o BRA deve ser introduzido para a nefroproteção.

Perguntas Frequentes

Por que IECA ou BRA são preferenciais em pacientes diabéticos com albuminúria?

IECA e BRA são preferenciais porque bloqueiam o sistema renina-angiotensina-aldosterona, reduzindo a pressão intraglomerular e a albuminúria, conferindo nefroproteção além do controle pressórico.

Qual o significado da albuminúria de 420mg/g de creatinina?

Uma albuminúria acima de 300 mg/g de creatinina (macroalbuminúria) indica um risco aumentado de progressão da doença renal e cardiovascular em pacientes diabéticos e hipertensos.

Quais são as metas de pressão arterial para pacientes com DM2 e nefropatia?

As diretrizes geralmente recomendam metas de pressão arterial < 130/80 mmHg para pacientes com diabetes e albuminúria, visando otimizar a proteção renal e cardiovascular.

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