Nefropatia Diabética: Otimizando o Tratamento Renal

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 58 anos, portador de HAS, neuropatia periférica e diabetes mellitus tipo II há 10 anos, com controle irregular em uso de metformina, evolui com quadro de edema de MMII há 2 meses. Buscou atendimento médico, e exames complementares realizados mostraram algumas alterações (creatinina 1,8 mg/dL, potássio 4,5 mEq/L – normal: 3,5- 5,0 - clearance de creatinina estável em 46 ml/min, proteinúria 2,5g/d). Paciente está usando enalapril 10mg/dia. Baseado nesse caso, assinale a resposta CORRETA.

Alternativas

  1. A) Como a evolução não é típica para doença renal diabética, deve realizar biópsia renal e iniciar análogo de GLP1.
  2. B) Deve aumentar dose do enalapril, associar losartana e espironolactona; deve realizar tomografia computadorizada para confirmar nefropatia diabética e associar inibidor de fosfolipase A2.
  3. C) Deve-se associar inibidor do co-transportador sódio glicose (iSGLT2 - dapaglifozina) e suspender metformina.
  4. D) Deve-se aumentar dose do enalapril, associar iSGLT2(deve reduzir outros diuréticos uma vez que essa droga tem efeito diurético).
  5. E) Deve-se indicar biópsia renal e iniciar corticoide na forma de pulsoterapia.

Pérola Clínica

Nefropatia diabética + proteinúria + DRC → iSGLT2 + IECA/BRA (otimizar dose), considerar suspender metformina.

Resumo-Chave

Em pacientes com nefropatia diabética, proteinúria e doença renal crônica, a combinação de um inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueador do receptor de angiotensina (BRA) com um inibidor do cotransportador sódio-glicose 2 (iSGLT2) é a terapia de escolha para proteção renal e cardiovascular. É importante ajustar a dose do IECA e considerar o efeito diurético do iSGLT2.

Contexto Educacional

A nefropatia diabética é uma complicação microvascular grave do diabetes mellitus, sendo a principal causa de doença renal crônica terminal. Caracteriza-se por proteinúria persistente, declínio progressivo da taxa de filtração glomerular e hipertensão arterial. O diagnóstico é clínico, baseado na presença de diabetes, proteinúria e redução da função renal, embora a biópsia renal possa ser considerada em casos atípicos ou para excluir outras causas de doença renal. O manejo da nefropatia diabética visa retardar a progressão da doença renal e reduzir o risco cardiovascular. Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) são a primeira linha de tratamento para reduzir a proteinúria e controlar a pressão arterial. A otimização da dose desses agentes é crucial. Recentemente, os inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (iSGLT2), como a dapaglifozina, demonstraram benefícios renais e cardiovasculares significativos em pacientes com diabetes tipo 2 e doença renal crônica, tornando-se uma adição essencial ao tratamento. No caso apresentado, o paciente com diabetes tipo 2, HAS, neuropatia periférica, creatinina elevada (1,8 mg/dL), clearance de creatinina de 46 ml/min e proteinúria de 2,5g/d, já em uso de enalapril, tem indicação clara para otimização da terapia. Aumentar a dose do enalapril (se tolerado) e associar um iSGLT2 (dapaglifozina) são as condutas mais apropriadas, conforme as diretrizes atuais. É importante monitorar a função renal e eletrólitos, e ajustar outros diuréticos devido ao efeito diurético dos iSGLT2. A metformina deve ser usada com cautela em pacientes com clearance de creatinina < 45 ml/min e pode precisar ser suspensa ou ter a dose reduzida, dependendo do valor exato e da tolerância.

Perguntas Frequentes

Qual a importância dos inibidores SGLT2 (iSGLT2) no tratamento da nefropatia diabética?

Os iSGLT2, como a dapaglifozina, são fundamentais na nefropatia diabética por seus efeitos nefroprotetores e cardiovasculares, independentemente do controle glicêmico. Eles reduzem a proteinúria, retardam a progressão da doença renal crônica e diminuem o risco de eventos cardiovasculares e mortalidade em pacientes com diabetes tipo 2 e DRC.

Por que é indicado aumentar a dose do enalapril e associar um iSGLT2 neste caso?

O enalapril (IECA) é um pilar no tratamento da nefropatia diabética para reduzir a proteinúria e controlar a pressão arterial. Aumentar a dose, se tolerado, otimiza esses efeitos. A associação com um iSGLT2 é recomendada pelas diretrizes atuais devido aos benefícios adicionais na proteção renal e cardiovascular, formando uma terapia combinada potente.

Quais cuidados devem ser tomados ao associar um iSGLT2 em pacientes já em uso de diuréticos?

Ao iniciar um iSGLT2, que possui um efeito diurético intrínseco, é prudente reavaliar e, se necessário, reduzir a dose de outros diuréticos em uso. Isso ajuda a prevenir desidratação, hipotensão e depleção de volume, especialmente em pacientes idosos ou com função renal comprometida.

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