Diabetes Mellitus Tipo 2: Rastreamento de Nefropatia Diabética

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2020

Enunciado

O diabetes melitus é uma condição clínica que pode cursar com complicações agudas e crônicas, micro e macrovasculares. No cuidado de rotina de pacientes com diabetes melitus tipo 2, na perspectiva de evitar ou diagnosticar precocemente tais complicações, está correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) o exame ampliado dos pés de pacientes diabéticos deve ser realizado em todas as consultas, independente do intervalo desde a consulta anterior, com auxílio de um monofilamento de 10g, diapasão, palpação de pulsos e avaliação visual. Um paciente é considerado com 'pé em risco' quando não possui alterações em pulsos ou normoestesia
  2. B) a investigação para retinopatia diabética deve ser iniciada depois de 5 anos do diagnóstico de diabetes através do exame de fundoscopia ou retinografia. Já a investigação para glaucoma, catarata ou oftalmoplegia deverá seguir como na população em geral, uma vez que não há aumento da prevalência dessas oftalmopatias nesse grupo de pacientes
  3. C) o rastreamento para nefropatia diabética deverá ser iniciado assim que for confirmado o diagnóstico e reinvestigado anualmente através da medida de creatininemia - com estimativa de clearence de creatinina - e albuminúria. Todo teste de albuminúria alterado deverá ser confirmado em duas ou três amostras antes do diagnóstico de nefropatia
  4. D) estudos vêm demonstrando que controles mais rigorosos de glicemia têm melhor desfecho na redução da mortalidade, independente da população estudada. Dessa forma, as metas de valores tanto de glicemia de jejum, glicemia aleatória e hemoglobina glicosilada devem ser as mínimas possíveis para pacientes em uso de hipoglicemiantes orais ou insulina

Pérola Clínica

Rastreamento nefropatia DM2: iniciar ao diagnóstico, anual, creatininemia + albuminúria, confirmar albuminúria alterada.

Resumo-Chave

O rastreamento da nefropatia diabética em pacientes com DM2 deve ser iniciado no momento do diagnóstico e realizado anualmente, incluindo a avaliação da creatininemia (para estimar o clearance) e da albuminúria. É crucial confirmar qualquer resultado alterado de albuminúria em múltiplas amostras para evitar diagnósticos falsos positivos e iniciar o manejo adequado precocemente.

Contexto Educacional

O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é uma condição crônica que, se não controlada, leva a diversas complicações micro e macrovasculares. A nefropatia diabética é uma das complicações microvasculares mais graves e a principal causa de doença renal crônica terminal. O rastreamento precoce e o manejo adequado são fundamentais para retardar sua progressão e preservar a função renal dos pacientes. Para pacientes com DM2, o rastreamento da nefropatia deve ser iniciado no momento do diagnóstico e repetido anualmente. Ele envolve a avaliação da função renal através da creatininemia (para estimar a taxa de filtração glomerular) e da albuminúria, preferencialmente pela relação albumina/creatinina em amostra de urina aleatória. A detecção de albuminúria é um marcador precoce de dano renal e um preditor de risco cardiovascular. É crucial que qualquer resultado de albuminúria alterado seja confirmado em duas ou três amostras coletadas em um período de 3 a 6 meses, para descartar causas transitórias. Uma vez confirmado o diagnóstico de nefropatia diabética, o tratamento inclui o controle rigoroso da glicemia e da pressão arterial, além do uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina II (BRA), que têm efeitos nefroprotetores independentes da pressão arterial.

Perguntas Frequentes

Quando deve ser iniciado o rastreamento para nefropatia diabética em pacientes com DM2?

O rastreamento para nefropatia diabética deve ser iniciado assim que o diagnóstico de Diabetes Mellitus tipo 2 for confirmado. Isso difere do DM1, onde o rastreamento geralmente começa 5 anos após o diagnóstico.

Quais exames são utilizados para rastrear a nefropatia diabética e com que frequência?

Os exames incluem a medida da creatininemia para estimar o clearance de creatinina (ou taxa de filtração glomerular estimada) e a medida da albuminúria (relação albumina/creatinina na urina). Ambos devem ser realizados anualmente.

Por que é importante confirmar a albuminúria alterada em múltiplas amostras?

A albuminúria pode ser transitória devido a fatores como exercício físico intenso, infecção do trato urinário, febre ou hipertensão descontrolada. A confirmação em duas ou três amostras coletadas em um período de 3 a 6 meses é necessária para estabelecer o diagnóstico de nefropatia diabética e evitar tratamentos desnecessários.

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