UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2025
Paciente A.L.F., 39 anos, com história de Diabetes Mellitus desde os 10 anos de idade, foi encaminhado para a Nefrologia com quadro de edema e urina espumosa há cerca de 3 meses. Faz uso de Insulina NPH 40 UI às 08 horas e 20 UI às 20 horas, Insulina Regular 6 UI 30 minutos antes do café da manhã e 8 UI 30 minutos antes do almoço e jantar, hidroclorotiazida 25 mg pela manhã. Durante a consulta, apresentava PA 160x70 mmHg e edema de membros inferiores, simétrico, de consistência amolecida, 2+/4+, sem outros sinais flogísticos. Trouxe os seguintes exames: Creatinina sérica 0,8 mg/dL; Urina rotina com proteinúria 4+, sem leucocitúria e sem hematúria; Relação Proteína/Creatinina em amostra isolada de urina: 2,9 mg/g. Baseado no caso clínico descrito acima, assinale a alternativa com o provável diagnóstico e o tratamento farmacológico mais adequado.
DRC G1 A3 por Nefropatia Diabética → IECA/BRA + iSGLT2 para nefroproteção e controle pressórico.
A presença de proteinúria significativa (>300 mg/g ou A3) em paciente diabético, mesmo com TFG normal (G1), já configura Doença Renal Crônica secundária ao diabetes. O tratamento ideal inclui bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (BRA/IECA) e inibidores do SGLT2, que comprovadamente reduzem a progressão da doença renal e eventos cardiovasculares.
A Nefropatia Diabética (ND) é uma das principais complicações microvasculares do Diabetes Mellitus e a causa mais comum de Doença Renal Crônica (DRC) em estágio terminal no mundo. Sua prevalência é alta, afetando cerca de 20-40% dos pacientes diabéticos, e representa um desafio significativo na prática clínica devido à sua morbimortalidade associada a eventos cardiovasculares e à necessidade de terapia renal substitutiva. O reconhecimento precoce e a intervenção são cruciais para retardar sua progressão. A fisiopatologia da ND envolve uma complexa interação de fatores hemodinâmicos e metabólicos, como hiperglicemia crônica, hipertensão intraglomerular e ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, levando a alterações estruturais nos glomérulos e túbulos renais. O diagnóstico é feito pela presença de albuminúria persistente e/ou redução da TFG em pacientes com diabetes, na ausência de outras causas de doença renal. A relação proteína/creatinina urinária é um exame fundamental para a triagem e monitoramento da proteinúria. O tratamento da ND visa o controle rigoroso da glicemia e da pressão arterial, com o uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina II (BRA) como primeira linha para nefroproteção. Mais recentemente, os inibidores do SGLT2 (como a dapagliflozina) e os agonistas do receptor de GLP-1 demonstraram benefícios significativos na redução da progressão da DRC e de eventos cardiovasculares, tornando-os componentes essenciais da terapia. A abordagem multidisciplinar é vital para o manejo integral desses pacientes.
O diagnóstico de DRC em diabéticos baseia-se na presença de anormalidades da estrutura ou função renal por mais de 3 meses. Isso inclui uma taxa de filtração glomerular (TFG) abaixo de 60 mL/min/1.73m² ou marcadores de lesão renal, como albuminúria persistente (relação albumina/creatinina > 30 mg/g ou proteinúria > 150 mg/g), alterações no sedimento urinário, ou anormalidades estruturais detectadas por imagem.
A dapagliflozina, um inibidor do SGLT2, é recomendada por seus efeitos nefroprotetores e cardiovasculares. Ela reduz a hiperfiltração glomerular, a albuminúria e a progressão da doença renal, além de diminuir o risco de eventos cardiovasculares e hospitalizações por insuficiência cardíaca em pacientes com DRC, independentemente da presença de diabetes.
A relação Proteína/Creatinina em amostra isolada de urina é um método prático e confiável para quantificar a proteinúria, sendo um marcador chave de lesão renal. Valores acima de 30 mg/g indicam albuminúria, e acima de 300 mg/g (macroalbuminúria) são um forte preditor de progressão da doença renal e risco cardiovascular em pacientes com diabetes.
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