Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026
Homem de 67 anos, portador de diabetes mellitus tipo 2 há 15 anos, apresenta proteinúria de 2,5 g/24h, creatinina sérica de 1,9 mg/dL e pressão arterial de 150x95 mmHg, apesar do uso de bloqueador de canal de cálcio. Qual a intervenção farmacológica prioritária?
DM2 + Proteinúria + Hipertensão → Prioridade: IECA ou BRA (Nefroproteção).
Em pacientes diabéticos com evidência de lesão renal (proteinúria), os bloqueadores do sistema renina-angiotensina-aldosterona são a primeira escolha para reduzir a progressão da doença renal e controlar a PA.
A nefropatia diabética é uma das principais causas de doença renal terminal no mundo. Sua patogênese envolve alterações hemodinâmicas (hiperfiltração glomerular) e metabólicas (glicação não enzimática de proteínas). A presença de proteinúria clínica (macroalbuminúria) indica dano glomerular estabelecido e alto risco cardiovascular. O bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) com IECAs ou BRAs é a pedra angular do tratamento, pois reduz a pressão capilar glomerular e possui efeitos anti-inflamatórios e antifibróticos no interstício renal. Além do SRAA, o controle glicêmico rigoroso (incluindo o uso de iSGLT2, que também possui efeito nefroprotetor) e o manejo lipídico são essenciais para o cuidado integral desses pacientes.
Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) promovem a dilatação da arteríola eferente renal de forma mais acentuada que a aferente. Isso reduz a pressão intraglomerular, diminuindo a hiperfiltração e, consequentemente, a proteinúria. Além do controle pressórico, esse efeito hemodinâmico direto protege o parênquima renal contra a progressão da fibrose e perda de função a longo prazo.
Atualmente, a associação de IECA e Bloqueadores dos Receptores de Angiotensina (BRA) não é recomendada. Grandes estudos demonstraram que a terapia combinada aumenta significativamente o risco de efeitos adversos graves, como hipercalemia e insuficiência renal aguda, sem oferecer benefícios adicionais na redução de eventos cardiovasculares ou progressão renal em comparação com a monoterapia.
Para pacientes diabéticos com proteinúria (especialmente acima de 1g/dia), as diretrizes sugerem alvos pressóricos mais rigorosos, geralmente inferiores a 130/80 mmHg. O controle intensivo da pressão arterial é uma das intervenções mais eficazes para reduzir a velocidade de declínio da taxa de filtração glomerular e minimizar o risco de eventos macrovasculares.
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