HSR Cássia - Hospital São Sebastião de Cássia (MG) — Prova 2025
Uma paciente de 55 anos de idade, com história de Diabetes mellitus e hipertensão de longa data, apresenta edema em membros inferiores e proteinúria superior a 3,5g/dia. A biópsia renal mostra espessamento difuso da membrana basal glomerular. Nesse caso, o diagnóstico MAIS provável é:
Paciente com DM/HAS + proteinúria > 3,5g/dia + espessamento MBG na biópsia → Nefropatia diabética.
A nefropatia diabética é a principal causa de doença renal crônica terminal. Em pacientes com diabetes e hipertensão de longa data, a presença de síndrome nefrótica (edema e proteinúria > 3,5g/dia) com espessamento difuso da membrana basal glomerular na biópsia é altamente sugestiva de nefropatia diabética.
A nefropatia diabética é uma complicação microvascular grave do Diabetes Mellitus (DM), sendo a principal causa de doença renal crônica (DRC) terminal em muitos países. Caracteriza-se por lesões estruturais e funcionais nos rins, levando a proteinúria progressiva, declínio da taxa de filtração glomerular (TFG) e, eventualmente, insuficiência renal. A prevalência aumenta com a duração do diabetes e o controle glicêmico e pressórico inadequado. A fisiopatologia envolve hiperglicemia crônica, que leva a alterações hemodinâmicas glomerulares (hiperfiltração inicial), acúmulo de produtos finais de glicação avançada (AGEs), ativação de citocinas pró-inflamatórias e pró-fibróticas, e estresse oxidativo. Essas alterações resultam em espessamento da membrana basal glomerular, expansão mesangial, glomeruloesclerose e fibrose túbulo-intersticial. Clinicamente, a nefropatia diabética progride de microalbuminúria para macroalbuminúria e, em alguns casos, para síndrome nefrótica completa, com edema, proteinúria maciça e hipoalbuminemia. O diagnóstico é frequentemente clínico em pacientes com DM de longa data e proteinúria. No entanto, a biópsia renal pode ser indicada em casos atípicos (ex: início súbito da proteinúria, ausência de retinopatia diabética, rápida progressão da DRC) para excluir outras glomerulopatias. Os achados histopatológicos típicos incluem espessamento difuso da membrana basal glomerular, expansão mesangial e, em estágios avançados, nódulos de Kimmelstiel-Wilson. O tratamento visa o controle rigoroso da glicemia, pressão arterial (com IECA/BRA), dislipidemia e o uso de inibidores da SGLT2 e finerenona para retardar a progressão da doença.
A síndrome nefrótica é caracterizada por proteinúria (>3,5g/dia), hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia.
Inicialmente, pode ser assintomática, progredindo para microalbuminúria, macroalbuminúria, edema, hipertensão e, eventualmente, doença renal crônica terminal.
Embora o diagnóstico seja frequentemente clínico em pacientes diabéticos com proteinúria, a biópsia é útil para confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão da lesão e excluir outras causas de doença renal, especialmente se houver atipias.
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