Nefropatia Diabética: Uso de IECA/BRA na Doença Renal Crônica

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 66 anos de idade, é atendida em consulta de rotina por diabetes tipo 2 e hipertensão arterial. Exame físico: PA = 140/96 mmHg. Exames laboratoriais: taxa de filtração glomerular estimada = 28 mL/min/1,73 m², proteinúria = 1,9 g/24h. Qual é a conduta mais apropriada?

Alternativas

  1. A) Prescrever inibidores da enzima conversão da angiotensina ou bloqueadores dos receptores da angiotensina II.
  2. B) Evitar bloqueadores do sistema renina- angiotensina devido à função renal diminuída.
  3. C) Não iniciar drogas anti-hipertensivas uma vez que a pressão arterial está controlada.
  4. D) Iniciar bloqueador de canal de cálcio para diminuir proteinúria.

Pérola Clínica

DRC diabética com proteinúria → IECA ou BRA são a primeira linha para nefroproteção e controle da PA, mesmo com TFG reduzida.

Resumo-Chave

Inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona (IECA/BRA) são cruciais na nefropatia diabética. Eles promovem vasodilatação da arteríola eferente, reduzindo a pressão intraglomerular e a proteinúria, o que retarda a progressão da doença renal.

Contexto Educacional

A nefropatia diabética é a principal causa de doença renal crônica (DRC) em estágio terminal no mundo. Caracteriza-se por hiperfiltração glomerular inicial, seguida pelo desenvolvimento de albuminúria e declínio progressivo da taxa de filtração glomerular (TFG). A hipertensão arterial sistêmica e a proteinúria são os principais fatores de risco para a progressão da doença. O manejo desses pacientes visa o controle glicêmico e pressórico rigoroso. O bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) com inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores dos receptores da angiotensina II (BRA) é a pedra angular do tratamento. Essas classes de medicamentos demonstraram reduzir a proteinúria e retardar a progressão da DRC em pacientes diabéticos, independentemente do seu efeito anti-hipertensivo. Mesmo em pacientes com TFG reduzida, como no caso apresentado (28 mL/min/1,73 m²), os benefícios nefroprotetores dos IECA/BRA geralmente superam os riscos. A conduta correta é iniciar a terapia em baixas doses e monitorar de perto a função renal e os níveis de potássio. A suspensão só é considerada em casos de hipercalemia refratária ou queda significativa e progressiva da TFG (>30% do basal).

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para iniciar IECA ou BRA em um paciente diabético?

IECA ou BRA são indicados em pacientes diabéticos com hipertensão arterial e/ou albuminúria (relação albumina/creatinina ≥30 mg/g), mesmo que normotensos, devido ao seu efeito de nefroproteção, que retarda a progressão da doença renal.

Por que IECA/BRA são preferíveis a outros anti-hipertensivos na nefropatia diabética?

Eles oferecem um benefício que vai além do controle da PA. Ao causarem vasodilatação preferencial da arteríola eferente glomerular, eles reduzem a pressão de filtração e, consequentemente, a proteinúria, um fator chave na progressão da lesão renal.

Quais as principais complicações do uso de IECA/BRA em pacientes com DRC?

As principais complicações são a hipercalemia e um aumento agudo da creatinina (geralmente <30% do valor basal e estabilizado). É essencial monitorar os níveis de potássio e a função renal uma a duas semanas após o início ou ajuste da dose.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo