TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024
Um paciente de 60 anos, com diabetes mellitus há 20 anos, apresenta edema importante nos membros inferiores. Além do edema, o paciente relata fadiga e aumento da pressão arterial nos últimos meses. Exames laboratoriais revelam proteinúria 6 g/24h, sem hematúria. A creatinina sérica está elevada, indicando comprometimento da função renal. Não há histórico de infecções recentes ou uso de medicamentos nefrotóxicos. Qual a conduta terapêutica mais importante para o paciente em questão?
Nefropatia Diabética → IECA/BRA + Controle Glicêmico + Estilo de Vida = Nefroproteção.
O manejo da nefropatia diabética é multifatorial, focando no controle rigoroso da pressão arterial (com bloqueio do SRAA) e da glicemia para retardar a progressão para insuficiência renal terminal.
A nefropatia diabética é a principal causa de doença renal terminal no mundo. Caracteriza-se histologicamente por expansão mesangial, espessamento da membrana basal glomerular e, em estágios avançados, pela presença de nódulos de Kimmelstiel-Wilson. O tratamento eficaz requer uma abordagem holística: controle da pressão arterial (alvo < 130/80 mmHg), controle glicêmico otimizado, cessação do tabagismo e manejo da dislipidemia. O uso de bloqueadores do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) é mandatório na presença de albuminúria para reduzir a hiperfiltração glomerular e preservar a função renal a longo prazo.
Os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e os bloqueadores dos receptores de angiotensina II (BRA) são a pedra angular do tratamento da nefropatia diabética. Eles promovem a nefroproteção através da vasodilatação da arteríola eferente glomerular, o que reduz a pressão intraglomerular e, consequentemente, a proteinúria. Esse efeito hemodinâmico é independente da redução da pressão arterial sistêmica e é fundamental para retardar a progressão da doença renal crônica. Devem ser prescritos para todos os pacientes diabéticos com albuminúria aumentada, monitorando-se sempre os níveis de potássio e a creatinina sérica.
O controle glicêmico rigoroso (alvo de HbA1c < 7%) é essencial para prevenir o início e a progressão da nefropatia. No entanto, em pacientes com doença renal crônica avançada, o risco de hipoglicemia aumenta significativamente devido à redução do clearance de insulina e da gliconeogênese renal. Além disso, muitos antidiabéticos orais são contraindicados ou exigem ajuste de dose. Atualmente, os inibidores da SGLT2 (gliflozinas) ganharam destaque não apenas pelo controle glicêmico, mas por seu robusto efeito nefroprotetor e cardioprotetor, sendo recomendados mesmo em taxas de filtração glomerular mais reduzidas.
Deve-se suspeitar de uma glomerulopatia não diabética se o paciente apresentar: início súbito de síndrome nefrótica, presença de hematúria macroscópica ou sedimento urinário ativo (cilindros hemáticos), ausência de retinopatia diabética (especialmente no DM tipo 1), ou uma queda rápida e inexplicada na taxa de filtração glomerular. Nesses casos, a história natural da doença foge do padrão esperado de hiperfiltração -> microalbuminúria -> proteinúria franca -> falência renal, e uma biópsia renal pode ser necessária para definir o diagnóstico e orientar o tratamento específico, como a imunossupressão.
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