Nefropatia Diabética: Diagnóstico e Síndrome Nefrótica

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011

Enunciado

Mulher, com 57 anos de idade, sem acompanhamento médico regular, é atendida em ambulatório de clínica médica de hospital secundário por queixa de edema de membros inferiores e face e de urina espumosa há três meses. A paciente não refere doenças anteriores e desconhece seus antecedentes familiares. Ao exame clínico encontra-se orientada, normocorada, hidratada, afebril, com edema de face (++/4). Pressão arterial (posição deitada) = 176 x 102 mmHg com pulso = 76 bpm; pressão arterial (posição supina) = 154 x 78 mmHg com pulso = 72 bpm. Frequência respiratória = 18 irpm. Exame cardíaco normal. Ausculta pulmonar: murmúrio vesicular diminuído nas bases pulmonares, sem ruídos adventícios. Abdome com sinais de ascite moderada, membros inferiores com edema compressível (++/4). Fundoscopia: prejudicada por opacificação do cristalino. Exames complementares: Glicemia de jejum = 283 mg/dL, Creatinina = 1,8 mg/ dL, Ureia = 60 mg/dL. Colesterol total = 312 mg/dL, LDL = 230 mg/dL, HDL = 40 mg/dL, VLDL = 42 mg/dL, triglicérides = 210 mg/dL. Albumina sérica = 1,8 g/dL. Exame sumário de urina: proteinúria (++++/4), glicosúria (++/4), sem outras alterações. Proteína na urina de 24h= 5,5g. Dosagem de eletrólitos e hemograma normais. Qual a principal etiologia para o quadro apresentado por essa paciente?

Alternativas

  1. A) Hipertensão arterial sistêmica.
  2. B) Diabetes mellitus.
  3. C) Dislipidemia.
  4. D) Glomerulopatia por lesões mínimas.
  5. E) Lupus eritematoso sistêmico.

Pérola Clínica

Glicemia ↑ + Proteinúria >3.5g/24h + Edema → Nefropatia Diabética.

Resumo-Chave

A tríade de hiperglicemia acentuada, proteinúria em nível nefrótico (5,5g) e edema sistêmico em paciente sem acompanhamento prévio é patognomônica de nefropatia diabética avançada.

Contexto Educacional

A nefropatia diabética é a principal causa de doença renal terminal no mundo ocidental. Fisiopatologicamente, o estado de hiperglicemia crônica leva à hiperfiltração glomerular, espessamento da membrana basal e expansão mesangial (lesões de Kimmelstiel-Wilson). O caso apresenta uma paciente com diagnóstico tardio, já manifestando síndrome nefrótica completa (edema, hipoalbuminemia e proteinúria maciça). Clinicamente, a correlação entre os níveis de glicemia (283 mg/dL) e a proteinúria (5,5g) é direta. A presença de glicosúria sem cetonúria reforça o diagnóstico de DM descompensado. O tratamento deve ser multifatorial, visando a redução do risco cardiovascular e a estabilização da função renal, que já se encontra comprometida (Creatinina 1,8 mg/dL).

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para diagnóstico de nefropatia diabética?

O diagnóstico é clínico na maioria das vezes, baseado na presença de albuminúria persistente (acima de 30mg/g de creatinina ou >300mg/24h para nefropatia estabelecida) em um paciente com diabetes de longa data. Frequentemente acompanha-se de retinopatia diabética. No caso clínico, a proteinúria de 5,5g (nível nefrótico) associada a glicemia de 283 mg/dL e glicosúria confirma o dano renal secundário ao descontrole glicêmico crônico.

Como diferenciar nefropatia diabética de outras glomerulopatias?

A nefropatia diabética costuma ter um curso progressivo. A ausência de hematúria dismórfica, a presença de rins de tamanho normal ou aumentado na ultrassonografia (mesmo com perda de função) e a associação com retinopatia sugerem DM. Se houver início súbito de proteinúria, hematúria macroscópica ou ausência de retinopatia no DM tipo 1, deve-se suspeitar de outras etiologias e considerar biópsia renal.

Qual o manejo inicial da nefropatia diabética com síndrome nefrótica?

O manejo foca no controle rigoroso da glicemia (HbA1c < 7%) e da pressão arterial. O uso de Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA) ou Bloqueadores dos Receptores de Angiotensina (BRA) é fundamental pelo efeito antiproteinúrico e nefroprotetor. Recentemente, os inibidores da SGLT2 tornaram-se padrão-ouro para reduzir a progressão da doença renal crônica em diabéticos.

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