Diabetes Tipo 2: Manejo da Albuminúria e Nefroproteção

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 56 anos de idade comparece ao ambulatório para acompanhamento de diabetes mellitus tipo 2. Está em uso de metformina 2g por dia e glibenclamida 10mg por dia, ambas iniciadas há 1 mês e com boa aderência. Nega outras comorbidades ou uso de outras medicações. Relata também que melhorou a qualidade das refeições e reduziu consumo de doces e açúcares desde a última consulta. A pressão arterial no consultório é de 140x84mmHg. Exames laboratoriais solicitados na última consulta evidenciaram: hemoglobina glicada: 7,2%; creatinina: 0,7mg/dL; ureia: 24mg/dL; potássio: 4,3mEq/L; albumina urinária: 35mg (amostra isolada) e creatinina urinária: 0,5g (amostra isolada). Os exames laboratoriais foram repetidos e as alterações confirmadas. Qual é a conduta que deve ser adotada neste momento?

Alternativas

  1. A) Suspensão da metformina.
  2. B) Introdução de insulina NPH.
  3. C) Introdução de losartana.
  4. D) Introdução de insulina lispro.

Pérola Clínica

DM2 + albuminúria persistente (≥30mg/24h) → iniciar iECA/BRA, mesmo com PA controlada.

Resumo-Chave

A paciente apresenta albuminúria persistente (35mg em amostra isolada, indicando microalbuminúria), um marcador precoce de nefropatia diabética. Mesmo com a pressão arterial de consultório em 140x84 mmHg, a introdução de um inibidor da enzima conversora de angiotensina (iECA) ou bloqueador do receptor de angiotensina (BRA), como a losartana, é indicada para nefroproteção.

Contexto Educacional

O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é uma doença crônica que exige manejo multifacetado, incluindo controle glicêmico, lipídico e pressórico. Uma das complicações microvasculares mais importantes é a nefropatia diabética, que pode progredir para doença renal crônica terminal. A detecção precoce e a intervenção são cruciais para retardar essa progressão. A paciente apresenta um controle glicêmico razoável (HbA1c 7,2%), mas a presença de albuminúria persistente (35mg em amostra isolada, que se confirmada em outras amostras, indica microalbuminúria) é um sinal de dano renal incipiente. A microalbuminúria é um preditor independente de progressão da nefropatia diabética e de eventos cardiovasculares. A pressão arterial de 140x84 mmHg, embora não seja uma emergência hipertensiva, está acima do alvo recomendado para pacientes diabéticos com albuminúria (<130/80 mmHg). Nesse cenário, a introdução de um inibidor da enzima conversora de angiotensina (iECA) ou de um bloqueador do receptor de angiotensina (BRA), como a losartana, é a conduta mais apropriada. Esses medicamentos têm um efeito nefroprotetor comprovado, reduzindo a albuminúria e retardando a progressão da doença renal, independentemente do seu efeito na pressão arterial sistêmica. A metformina e a glibenclamida devem ser mantidas, e a insulina não é a primeira linha para essa situação.

Perguntas Frequentes

O que é albuminúria persistente e qual sua importância no diabetes tipo 2?

Albuminúria persistente é a excreção de albumina na urina em níveis elevados (≥30 mg/24h ou relação albumina/creatinina ≥30 mg/g), confirmada em pelo menos duas de três amostras em 3-6 meses. É um marcador precoce de nefropatia diabética e um preditor de risco cardiovascular e renal.

Por que introduzir losartana em paciente diabético com albuminúria, mesmo com PA controlada?

A losartana, um bloqueador do receptor de angiotensina (BRA), é indicada para nefroproteção em pacientes com diabetes tipo 2 e albuminúria, independentemente dos níveis pressóricos. Ela reduz a pressão intraglomerular e a progressão da doença renal, além de ter efeitos cardiovasculares benéficos.

Quais são os alvos de controle da pressão arterial em pacientes com diabetes tipo 2?

As diretrizes geralmente recomendam um alvo de pressão arterial < 130/80 mmHg para a maioria dos pacientes com diabetes tipo 2, especialmente aqueles com albuminúria. A losartana ajuda a atingir esse alvo e oferece proteção renal adicional.

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