Nefropatia Diabética: Diagnóstico e Fundo de Olho

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 70 anos é atendido no ambulatório de Clínica Médica com queixa de cansaço aos grandes esforços há 2 meses Hipertenso e diabetico ha 18 anos, em uso de captopril 150mg/dia, furosemida 25mg/dia, atenolol 50mg/dia, insulina NPH 30:20:10 Ul e Metformina 1700mg/dia. Com ele estão alguns exames realizados na Unidade Básica de Saúde há 15 dias: Hemoglobina = 9,6 g/dl (com VCM = 87 e HCM = 30); Urina EAS com densidade de 1014, ph 6, leucócitos 10000, eritrócitos 12000, proteína 4+/4+, hemoglobina ausente: Creatinina = 3,6 mg/dl; Potássio = 5,4.mEq/L; Albumina sérica 3,8 mg/dl. Pressão Arterial = 160x90 mmHg, FC = 78 bpm, FR = 20 ipm, Peso de 80kg. No exame físico chama a atenção o edema de membros inferiores, 2+/4+. Assinale a alternativa correta em relação ao paciente.

Alternativas

  1. A) O paciente é um renal crônico com nefropatia diabética e a realização do fundo de olho é importante para o diagnóstico.
  2. B) O paciente é um cardiopata com síndrome cardio-renal tipo 1 e a realização de cintilografia miocárdica é importante para o diagnóstico.
  3. C) O paciente é um renal crônico com doença renovascular e o ultrassom renal com doppler é importante para o diagnóstico.
  4. D) O paciente é um cardiopata com síndrome cardio-renal tipo 2 e a realização de ecocardiograma é importante para o diagnóstico.

Pérola Clínica

Diabético/hipertenso com DRC e proteinúria → nefropatia diabética. Fundo de olho é crucial para diagnóstico.

Resumo-Chave

Paciente com diabetes e hipertensão de longa data, apresentando elevação da creatinina, proteinúria e anemia, tem um quadro compatível com doença renal crônica, sendo a nefropatia diabética a causa mais provável. A avaliação do fundo de olho é fundamental para identificar retinopatia diabética, que frequentemente coexiste e corrobora o diagnóstico de nefropatia diabética.

Contexto Educacional

A nefropatia diabética é uma das principais causas de doença renal crônica (DRC) e doença renal terminal em todo o mundo, sendo uma complicação microvascular grave do diabetes mellitus. Caracteriza-se por albuminúria persistente e declínio progressivo da função renal. A sua importância clínica reside na alta morbimortalidade associada, principalmente por eventos cardiovasculares, e na necessidade de terapia renal substitutiva em estágios avançados. O diagnóstico precoce e o manejo intensivo são essenciais para retardar a progressão da doença. A fisiopatologia envolve alterações hemodinâmicas e metabólicas induzidas pela hiperglicemia crônica, levando a danos glomerulares. O diagnóstico é clínico, baseado na história de diabetes, presença de proteinúria (albuminúria) e redução da taxa de filtração glomerular. Um ponto crucial é a associação com a retinopatia diabética: a presença de retinopatia em um paciente diabético com DRC aumenta a probabilidade de que a nefropatia diabética seja a causa da doença renal. Portanto, o exame de fundo de olho é uma ferramenta diagnóstica e prognóstica valiosa. O tratamento da nefropatia diabética envolve o controle rigoroso da glicemia e da pressão arterial, com o uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina II (BRA) para reduzir a proteinúria e retardar a progressão da DRC. O manejo também inclui o controle de dislipidemias, a correção da anemia e o tratamento de outras complicações da DRC, como a hipercalemia e a sobrecarga de volume. A abordagem multidisciplinar é fundamental para otimizar o cuidado e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para o diagnóstico de nefropatia diabética?

A nefropatia diabética é diagnosticada pela presença de albuminúria persistente (proteinúria) e/ou diminuição da taxa de filtração glomerular em pacientes com diabetes mellitus de longa data, na ausência de outras causas primárias de doença renal.

Por que o exame de fundo de olho é importante na avaliação da nefropatia diabética?

O exame de fundo de olho é crucial porque a retinopatia diabética frequentemente coexiste com a nefropatia diabética. A presença de retinopatia corrobora o diagnóstico de nefropatia diabética e a ausência de retinopatia em um diabético com doença renal deve levantar a suspeita de outras causas de doença renal.

Quais são as principais complicações da doença renal crônica em pacientes diabéticos?

As principais complicações incluem anemia, distúrbios do metabolismo mineral e ósseo, acidose metabólica, hipercalemia, sobrecarga de volume, e um risco significativamente aumentado de eventos cardiovasculares. O manejo deve ser multifacetado para abordar todas essas questões.

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