UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2025
Paciente, 70 anos, portador de diabetes mellitus há 15 anos, negava hipertensão arterial. Foi detectado com creatinina sérica de 1,7 mg/dL, taxa de filtração glomerular estimada em 40 ml/min e microalbuminúria 500 mg/g. Encontra-se em uso de metformina. Ao exame físico: PA 150x90 mmHg, sem edema e sem outras alterações. Considerando que os exames foram confirmados em nova dosagem, qual o tratamento recomendado para preservar progressão da função renal?
DM + DRC + HAS + albuminúria → iniciar IECA/BRA e SGLT2i (dapaglifozina) para proteção renal e cardiovascular.
Em pacientes diabéticos com doença renal crônica, hipertensão e albuminúria, a terapia combinada com um inibidor do sistema renina-angiotensina-aldosterona (IECA ou BRA) e um inibidor do SGLT2 (como dapaglifozina) é fundamental. Essa abordagem oferece proteção renal e cardiovascular adicional, reduzindo a progressão da doença renal e eventos cardiovasculares maiores.
A nefropatia diabética é uma complicação microvascular grave do diabetes mellitus, sendo a principal causa de doença renal crônica (DRC) terminal em muitos países. Caracteriza-se por albuminúria persistente, declínio progressivo da taxa de filtração glomerular (TFG) e hipertensão arterial. O manejo eficaz visa retardar a progressão da doença renal, prevenir eventos cardiovasculares e melhorar a qualidade de vida do paciente. A abordagem terapêutica deve ser multifacetada, incluindo controle glicêmico rigoroso, controle da pressão arterial e uso de medicamentos com efeitos nefroprotetores específicos. Para pacientes com diabetes, DRC (TFG < 60 mL/min) e albuminúria (especialmente > 30 mg/g), a terapia com inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), como os inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou os bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), é a pedra angular do tratamento. Esses medicamentos reduzem a pressão intraglomerular, diminuem a proteinúria e exercem efeitos protetores diretos sobre o rim. Além disso, o controle da hipertensão arterial é fundamental, com metas de pressão arterial geralmente mais rigorosas para esses pacientes. Recentemente, os inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2), como a dapaglifozina, revolucionaram o tratamento da nefropatia diabética. Estudos demonstraram que esses agentes, além de controlar a glicemia, oferecem proteção renal e cardiovascular significativa, reduzindo a progressão da DRC e a ocorrência de eventos cardiovasculares maiores, independentemente do controle glicêmico. As diretrizes atuais recomendam a introdução de um inibidor SGLT2 em pacientes com diabetes tipo 2 e DRC, mesmo que já estejam em uso de IECA/BRA, para otimizar a nefroproteção. A metformina deve ser mantida, se a TFG permitir, e outros antidiabéticos devem ser ajustados conforme a função renal.
IECA e BRA são a primeira linha de tratamento para nefropatia diabética, especialmente na presença de albuminúria e hipertensão. Eles reduzem a pressão intraglomerular, diminuem a proteinúria e retardam a progressão da doença renal crônica, além de controlar a pressão arterial.
A dapaglifozina e outros inibidores SGLT2 demonstraram, em grandes estudos, reduzir significativamente o risco de progressão da doença renal crônica, eventos cardiovasculares e hospitalização por insuficiência cardíaca em pacientes com diabetes tipo 2 e DRC, independentemente do controle glicêmico. Seu mecanismo envolve a redução da reabsorção de sódio e glicose nos túbulos renais, com efeitos hemodinâmicos e metabólicos benéficos.
A meta de pressão arterial para pacientes diabéticos com doença renal crônica e albuminúria geralmente é < 130/80 mmHg, embora possa variar ligeiramente dependendo das diretrizes e da tolerância do paciente. O controle rigoroso da PA é crucial para retardar a progressão da nefropatia.
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