Manejo da Nefropatia Diabética: Impacto do Controle Pressórico

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016

Enunciado

Um homem com 55 anos de idade, hipertenso, dislipidêmico e diabético de longa data, com controle glicêmico razoável, comparece à consulta na Unidade Básica de Saúde para mostrar exames de rotina. Mostra-se assintomático. A avaliação cardiológica não detectou doença cardiovascular estabelecida. Tem feito uso de metformina, amlodipina, sinvastatina e ácido acetilsalicílico (AAS). Pressão arterial = 135 x 85 mmHg. Exame físico sem alterações. Exames complementares revelaram os seguintes resultados: albuminúria 24 h = 45 mg (valor de referência: inferior a 30 mg); colesterol total = 189 mg/dL (valor de referência limítrofe: 200 a 239 mg/dL); colesterol LDL = 90 mg/dL (valor de referência limítrofe: 130 a 159 mg/dL); triglicerídeos = 165 mg/dL (valor de referência limítrofe: 150 a 199 mg/dL); glicemia de jejum = 189 mg/dL (valor de referência: 70 a 99 mg/dL); hemoglobina glicada – HbA1c = 7,2% (valor de referência: 4 a 6%). Após orientações dietéticas e gerais sobre a doença, foi prescrito losartana. Considerando o quadro clínico apresentado, qual é a intervenção de maior impacto recomendada, com evidência clínica nível A?

Alternativas

  1. A) Controle glicêmico (alvo: HbA1c menor ou igual a 7,0%).
  2. B) Restrição de proteínas na dieta (recomendado: 1,0 g/kg/dia).
  3. C) Controle da pressão arterial (alvo: menor ou igual a 140 x 80 mmHg).
  4. D) Redução do LDL-c (alvo: menor que 70 mg/dL) e de triglicerídeos (alvo: menor que 150 mg/dL).

Pérola Clínica

Controle da PA (alvo ≤ 140/80) = maior impacto na redução de desfechos renais no DM2.

Resumo-Chave

Em pacientes diabéticos com microalbuminúria estabelecida, o controle rigoroso da pressão arterial, preferencialmente com bloqueadores do sistema renina-angiotensina, é a intervenção com maior nível de evidência para reduzir a progressão da doença renal.

Contexto Educacional

A nefropatia diabética é uma das principais causas de terapia renal substitutiva no mundo. Sua patogênese envolve hiperfiltração glomerular, glicação de proteínas e estresse oxidativo. A presença de albuminúria (30-300 mg/24h) sinaliza lesão endotelial e risco cardiovascular aumentado. A intervenção com bloqueadores do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) é a pedra angular do tratamento, pois reduz a pressão intraglomerular e a proteinúria.

Perguntas Frequentes

Por que o controle da PA é prioritário na nefropatia diabética?

Grandes estudos clínicos (como o UKPDS) demonstraram que, em pacientes com DM2, o controle rigoroso da pressão arterial tem um impacto mais significativo e imediato na redução de complicações macro e microvasculares, especialmente na progressão da doença renal, do que o controle glicêmico isolado, uma vez que a hipertensão acelera drasticamente o dano glomerular.

Qual o alvo pressórico recomendado para diabéticos com albuminúria?

As diretrizes atuais recomendam alvos pressóricos mais rigorosos para pacientes com diabetes e albuminúria (> 30 mg/24h), geralmente visando valores ≤ 130/80 mmHg ou, conforme as diretrizes da época da questão, ≤ 140/80 mmHg. O uso de IECA ou BRA é mandatório pela proteção renal adicional (efeito antiproteinúrico) independente da redução da PA.

Qual a evidência para o controle glicêmico na microalbuminúria?

O controle glicêmico (HbA1c < 7%) é fundamental para prevenir o surgimento da microalbuminúria (prevenção primária). No entanto, uma vez que a lesão renal está estabelecida (prevenção secundária), o impacto do controle glicêmico na redução da progressão para insuficiência renal terminal é menor do que o impacto do controle pressórico rigoroso.

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