Nefropatia Diabética: Manejo da Proteinúria e Renoproteção

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2023

Enunciado

Um homem de 62 anos, com DM tipo 2 e HAS, usando Metformina e Hidroclorotiazida está com PA 150/90mmHg. Como resultados de exames, apresenta creatinina 1,4mg/dL, HbA1c 8%, proteína urinária 1.000mg e creatinina urinária 900mg. Em relação a retardar a progressão da nefropatia, a medida mais efetiva é:

Alternativas

  1. A) Suspender a Metformina.
  2. B) Associar insulina.
  3. C) Iniciar Losartana.
  4. D) Trocar Hidroclorotiazida por Furosemida

Pérola Clínica

Nefropatia diabética com proteinúria → Iniciar IECA/BRA (Losartana) para renoproteção.

Resumo-Chave

Em pacientes com diabetes tipo 2, hipertensão e nefropatia diabética com proteinúria, a introdução de um bloqueador do receptor da angiotensina (BRA), como a Losartana, é a medida mais efetiva para retardar a progressão da doença renal, devido aos seus efeitos renoprotetores.

Contexto Educacional

A nefropatia diabética é uma complicação microvascular grave do diabetes mellitus, sendo a principal causa de doença renal crônica terminal em muitos países. Caracteriza-se por proteinúria persistente, declínio progressivo da taxa de filtração glomerular (TFG) e hipertensão arterial. Sua importância clínica reside na alta morbimortalidade associada, incluindo risco cardiovascular aumentado. O diagnóstico precoce e o manejo agressivo são fundamentais. A fisiopatologia envolve hiperglicemia crônica, que leva a alterações hemodinâmicas e estruturais nos glomérulos, como hiperfiltração, espessamento da membrana basal, expansão mesangial e glomeruloesclerose. O sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) desempenha um papel central na progressão da doença. O diagnóstico é feito pela presença de albuminúria (proteinúria) em pacientes diabéticos, na ausência de outras causas de doença renal. O tratamento visa retardar a progressão da doença renal e reduzir o risco cardiovascular. As medidas mais efetivas incluem o controle rigoroso da glicemia (HbA1c < 7%), controle da pressão arterial (alvo < 130/80 mmHg) com bloqueadores do SRAA (IECA ou BRA), que são renoprotetores por reduzir a proteinúria, e o uso de SGLT2i e agonistas do GLP-1, que também demonstraram benefícios renais e cardiovasculares.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais pilares do tratamento da nefropatia diabética?

Os pilares incluem controle rigoroso da glicemia e da pressão arterial, bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) com IECA ou BRA, e manejo de comorbidades como dislipidemia.

Por que IECA/BRA são eficazes na nefropatia diabética?

IECA e BRA reduzem a proteinúria e retardam a progressão da doença renal ao diminuir a pressão intraglomerular, reduzir a hiperfiltração e exercer efeitos antiproliferativos e antifibróticos.

Quando a Metformina deve ser suspensa em pacientes com doença renal?

A Metformina deve ser ajustada ou suspensa em pacientes com taxa de filtração glomerular (TFG) abaixo de 30 mL/min/1,73m² devido ao risco de acidose láctica, mas no caso apresentado (creatinina 1,4 mg/dL, TFG estimada ~50-60 mL/min), a suspensão não é a medida mais efetiva para a nefropatia.

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