Nefropatia em Pacientes com HIV: Diagnóstico Diferencial

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2015

Enunciado

D.S.L., 28 anos, sexo feminino, SIDA, em tratamento com TAARV, evoluiu com aumento progressivo dos níveis pressóricos nos últimos 2 anos. Os exames iniciais mostraram: Hb10,3; Ht31; creat = 2,1 mg/dl; Ur = 63 mg/dl; Na = 140 mEq/dl; potássio = 5,1 mEq/dl; urina 1 = hemáceas 80/por campo (referência 1-5); proteína +/4+; leucócitos 2/por campo (referência 1-5); nitrito negativo. Proteinúria 24h = 1,4 mEq/dl. Optado por realizar biópsia renal. Qual dos diagnósticos abaixo não é hipótese diagnóstica para esse quadro?

Alternativas

  1. A) Lesões mínimas.
  2. B) Glomerulonefrite membrano-proliferativa.
  3. C) Lupus like.
  4. D) Glomerulonefrite por lgA.
  5. E) Glomeruloesclerose segmentar e focal.

Pérola Clínica

Paciente com SIDA e doença renal → considerar HIVAN (GESF colapsante) e outras glomerulopatias secundárias. Lesões mínimas são raras.

Resumo-Chave

Pacientes com HIV/SIDA são suscetíveis a diversas nefropatias, sendo a Nefropatia Associada ao HIV (HIVAN), uma forma de Glomeruloesclerose Segmentar e Focal (GESF) colapsante, a mais característica. Lesões mínimas são incomuns nesse contexto, especialmente com proteinúria tão elevada e hematúria.

Contexto Educacional

Pacientes com infecção pelo HIV, especialmente aqueles com SIDA, apresentam um risco aumentado de desenvolver doença renal crônica (DRC) devido a múltiplos fatores, incluindo efeitos diretos do vírus, nefrotoxicidade de medicamentos antirretrovirais, coinfeções e outras comorbidades. A Nefropatia Associada ao HIV (HIVAN) é a forma mais clássica e grave, caracterizada por uma variante colapsante da Glomeruloesclerose Segmentar e Focal (GESF), levando a proteinúria maciça e rápida progressão para doença renal terminal. A fisiopatologia da HIVAN envolve a infecção direta de células renais pelo HIV, resultando em proliferação e diferenciação de podócitos, esclerose glomerular e fibrose túbulo-intersticial. O diagnóstico é suspeitado em pacientes com HIV, proteinúria significativa e insuficiência renal, e confirmado por biópsia renal. Outras glomerulopatias, como glomerulonefrite membrano-proliferativa e glomerulonefrite por IgA, também podem ocorrer. O tratamento da nefropatia em pacientes com HIV envolve o controle da replicação viral com terapia antirretroviral (TAARV), que pode estabilizar ou melhorar a função renal, além de medidas de suporte para a DRC, como controle da pressão arterial e proteinúria. A doença de lesões mínimas é uma hipótese menos provável neste cenário devido à presença de hematúria e insuficiência renal significativa, que não são achados típicos dessa condição.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de doença renal em pacientes com HIV?

As principais causas incluem a Nefropatia Associada ao HIV (HIVAN), que é uma forma de Glomeruloesclerose Segmentar e Focal colapsante, além de glomerulonefrites por imunocomplexos, nefrotoxicidade por antirretrovirais e outras glomerulopatias secundárias.

Por que a doença de lesões mínimas é uma hipótese improvável nesse caso?

A doença de lesões mínimas geralmente se apresenta com proteinúria nefrótica pura e ausência de hematúria ou insuficiência renal significativa, o que difere do quadro do paciente com hematúria e creatinina elevada.

Qual a importância da biópsia renal em pacientes com HIV e doença renal?

A biópsia renal é crucial para determinar a etiologia específica da doença renal em pacientes com HIV, permitindo um tratamento direcionado e um prognóstico mais preciso, dada a diversidade de patologias possíveis.

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