Prevenção de Nefrolitíase: Diretrizes SBN 2024-2025

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026

Enunciado

De acordo com a Diretriz Brasileira para Diagnóstico e Tratamento Clínico da Nefrolitíase (SBN, 2024 - 2025), qual das condutas abaixo está CORRETAMENTE indicada para a prevenção de recorrência de cálculos renais de oxalato de cálcio?

Alternativas

  1. A) Restringir de forma rigorosa a ingestão de cálcio dietético para reduzir a excreção urinária de cálcio.
  2. B) Incentivar hidratação adequada com meta de diurese superior a 2,0–2,5 litros por dia, visando reduzir a supersaturação urinária de sais litogênicos.
  3. C) Reduzir a ingestão de frutas cítricas, uma vez que aumentam a excreção urinária de oxalato.
  4. D) Utilizar diuréticos de alça de forma rotineira para todos os pacientes com hipercalciúria, independentemente de avaliação metabólica prévia.

Pérola Clínica

Prevenção de nefrolitíase → Diurese > 2,0-2,5L/dia + Dieta normocálcica.

Resumo-Chave

A hidratação vigorosa para manter uma diurese superior a 2 litros por dia reduz a supersaturação de sais litogênicos, sendo a medida preventiva mais eficaz e transversal.

Contexto Educacional

A nefrolitíase é uma condição crônica com altas taxas de recorrência, exigindo uma abordagem metabólica detalhada. A Diretriz Brasileira de 2024-2025 enfatiza que as mudanças no estilo de vida são o pilar fundamental do tratamento preventivo. Além da hidratação adequada e da manutenção do cálcio dietético, recomenda-se a redução do consumo de sódio (que aumenta a excreção urinária de cálcio) e de proteínas animais em excesso (que acidificam a urina e aumentam a excreção de cálcio e ácido úrico). O manejo farmacológico, como o uso de diuréticos tiazídicos ou citrato de potássio, deve ser reservado para casos específicos após avaliação metabólica (urina de 24 horas) e falha das medidas dietéticas.

Perguntas Frequentes

Por que não se deve restringir o cálcio na dieta de quem tem cálculos?

Antigamente acreditava-se que reduzir o cálcio diminuiria a formação de cristais de oxalato de cálcio. No entanto, o cálcio dietético liga-se ao oxalato no lúmen intestinal, formando um complexo insolúvel que é excretado nas fezes. Se houver pouco cálcio disponível na dieta, o oxalato livre é absorvido em maior quantidade, resultando em hiperoxalúria, que é um fator de risco muito mais potente para a litogênese do que a hipercalciúria moderada. Portanto, a recomendação atual é manter uma ingestão normal de cálcio (800-1200 mg/dia) para prevenir a recorrência de cálculos e proteger a saúde óssea.

Qual a meta de ingestão hídrica para pacientes com nefrolitíase?

A meta principal não é apenas a ingestão de líquidos, mas sim o volume urinário final. As diretrizes recomendam uma ingestão hídrica suficiente para garantir uma diurese de pelo menos 2,0 a 2,5 litros por dia. Isso dilui a concentração de solutos na urina (como cálcio, oxalato e ácido úrico), reduzindo a supersaturação urinária e impedindo a nucleação e o crescimento de cristais. A hidratação deve ser distribuída ao longo das 24 horas, incluindo períodos noturnos se necessário, e preferencialmente com água ou sucos cítricos naturais.

Qual o papel das frutas cítricas na prevenção de cálculos?

Frutas cítricas, como limão e laranja, são ricas em citrato, um potente inibidor natural da cristalização urinária. O citrato liga-se ao cálcio na urina, formando um complexo solúvel e impedindo que o cálcio se ligue ao oxalato ou ao fosfato. Além disso, o citrato ajuda a alcalinizar levemente a urina, o que é benéfico na prevenção de cálculos de ácido úrico e cistina. Portanto, ao contrário do que alguns pensam, o consumo de frutas cítricas deve ser incentivado, e não reduzido, em pacientes formadores de cálculos de oxalato de cálcio.

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