Manejo da Cólica Nefrética em Paciente com Rim Único

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, de 53 anos de idade, procura pronto-socorro por dor lombar esquerda há duas horas, associada a náuseas e vômitos. Relata irradiação da dor para flanco, fossa ilíaca e grande lábio à esquerda. Tem antecedente pessoal de diabetes mellitus tipo 2 mal controlada e nefrectomia direita por pielonefrite enfisematosa há três anos. Ao exame físico, encontra-se com fácies de dor, abdome globoso, flácido, desconforto à palpação de flanco esquerdo, Giordano negativo. Os exames laboratoriais revelaram: leucócitos 6.100/mm³, PCR 5mg/dL, creatinina 1,2 mg/dL, ureia 38 mg/dL. O exame de urina tem 45.000 hemácias/mm³, 2.000 leucócitos/mm³ e nitrito negativo. A tomografia está disponível a seguir: Após a administração de analgésicos e antieméticos, qual é a conduta recomendada para essa paciente?

Alternativas

  1. A) Alta hospitalar com analgésicos e seguimento ambulatorial.
  2. B) Alta hospitalar com bloqueadores de receptores alfa-adrenérgicos e anti-inflamatório não esteroide.
  3. C) Internação hospitalar e passagem de cateter duplo J à esquerda.
  4. D) Internação hospitalar, antibioticoterapia endovenosa e passagem de cateter duplo J à esquerda.

Pérola Clínica

Cólica nefrética em rim único sem IRA ou infecção → Manejo ambulatorial e analgesia.

Resumo-Chave

A presença de rim único não é indicação absoluta de internação na cólica nefrética; se a função renal estiver preservada e não houver sinais de infecção ou dor refratária, o tratamento é ambulatorial.

Contexto Educacional

A cólica nefrética é uma das causas mais comuns de atendimento em prontos-socorros. O manejo inicial foca na analgesia, geralmente com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como primeira linha, devido à sua ação na redução da pressão intraureteral, associados ou não a opioides. A decisão de internar baseia-se na presença de complicações. Em pacientes com rim único, a atenção deve ser redobrada para a função renal. Contudo, se os exames laboratoriais mostram função estável e ausência de infecção (nitrito negativo, leucócitos normais), a conduta conservadora é preferível. O uso de alfa-bloqueadores pode ser considerado para cálculos distais maiores que 5mm para aumentar a taxa de expulsão espontânea, embora seu uso rotineiro seja debatido em cálculos menores.

Perguntas Frequentes

Quais as indicações de intervenção imediata na nefrolitíase?

As indicações clássicas para intervenção urológica de urgência (como cateter duplo J ou nefrostomia) incluem a presença de infecção urinária associada à obstrução (urosepse), insuficiência renal aguda obstrutiva, dor refratária à analgesia endovenosa potente, vômitos incoercíveis que impedem a hidratação oral e obstrução bilateral ou em rim único que resulte em anúria ou queda significativa da função renal. No caso apresentado, a paciente possui creatinina de 1,2 mg/dL (estável para sua condição) e ausência de leucocitose ou febre, permitindo o manejo conservador inicial com foco no controle da dor e seguimento ambulatorial para eliminação do cálculo ou litotripsia eletiva.

O rim único muda a conduta na cólica renal estável?

Embora o rim único exija uma vigilância mais rigorosa da função renal, ele não altera a conduta inicial se o paciente estiver clinicamente estável. Se a dor for controlada com analgésicos e a creatinina permanecer em níveis basais, o paciente pode receber alta com orientações. A preocupação no rim único é a obstrução total que levaria à anúria e uremia rápida, mas se há passagem de urina e estabilidade metabólica, o tratamento ambulatorial com bloqueadores alfa-adrenérgicos (como a tansulosina) para facilitar a expulsão do cálculo é seguro e recomendado pelas diretrizes urológicas atuais.

Qual o papel da tomografia sem contraste na nefrolitíase?

A tomografia computadorizada de abdome e pelve sem contraste (protocolo de litíase) é o padrão-ouro para o diagnóstico de nefrolitíase. Ela possui sensibilidade e especificidade superiores à ultrassonografia e à radiografia simples. A TC permite identificar a localização exata do cálculo, seu tamanho, sua densidade (em unidades Hounsfield) e a distância pele-cálculo, fatores que predizem a chance de eliminação espontânea ou o sucesso de procedimentos como a litotripsia extracorpórea. Além disso, identifica complicações como hidronefrose e borramento da gordura perirrenal, auxiliando na decisão entre tratamento clínico ou cirúrgico.

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