FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2021
Paciente do sexo feminino, 24 anos, vem à consulta urológica com um histórico prévio de dor lombar esquerda há cerca de 1 ano. Refere quadros de infecção urinária de repetição, os quais “nunca curaram com antibiótico”. Relata que apresenta pelo menos 4 episódios de infecção urinária por ano desde os 16 anos de idade. No exame físico, apresenta discreto desconforto à palpação da loja renal esquerda. Traz consigo uma tomografia computadorizada de um mês atrás que mostra um cálculo coraliforme parcial (envolvendo a pelve renal e os cálices inferior e médio) do lado esquerdo, com 3,2 cm no maior eixo, com discreta hidronefrose. Rim direito normal, bexiga normal. Sem cálculos no ureter. Considerando que atualmente a paciente não apresenta infecção urinária e seus exames laboratoriais são normais, qual é a melhor opção de tratamento?
Cálculo coraliforme > 2 cm → Nefrolitotripsia percutânea (NLPC) é o tratamento de escolha.
Cálculos coraliformes, que preenchem o sistema coletor renal e geralmente são maiores que 2 cm, são complexos e associados a infecções urinárias de repetição. A nefrolitotripsia percutânea (NLPC) é a modalidade terapêutica mais eficaz para sua remoção, com altas taxas de sucesso e menor morbidade que a cirurgia aberta.
A nefrolitíase coraliforme representa uma forma complexa e desafiadora de urolitíase, caracterizada por cálculos que preenchem o sistema coletor renal. Esses cálculos são frequentemente associados a infecções urinárias de repetição, muitas vezes causadas por bactérias produtoras de urease, como Proteus mirabilis, que alcalinizam a urina e promovem a formação de cálculos de estruvita. A fisiopatologia envolve a estase urinária e a infecção, criando um ambiente propício para o crescimento do cálculo. O diagnóstico é feito por exames de imagem, como a tomografia computadorizada, que detalha o tamanho, localização e densidade do cálculo. A presença de hidronefrose e infecções urinárias recorrentes são indicativos de necessidade de intervenção. O tratamento de escolha para cálculos coraliformes e cálculos renais grandes (>2 cm) é a nefrolitotripsia percutânea (NLPC). Este procedimento minimamente invasivo permite o acesso direto ao rim para fragmentação e remoção dos cálculos, com altas taxas de sucesso. Outras opções, como a litotripsia extracorpórea, são menos eficazes para cálculos desse porte e podem levar a fragmentos residuais e necessidade de retratamentos.
Um cálculo coraliforme é uma pedra renal grande que preenche a pelve renal e pelo menos dois cálices, assumindo a forma do sistema coletor. É problemático devido ao seu tamanho, complexidade e associação frequente com infecções urinárias crônicas.
A NLPC é o tratamento de escolha porque permite a remoção de grandes volumes de cálculo em uma única sessão, com altas taxas de sucesso na obtenção de 'stone-free' e menor morbidade comparada à cirurgia aberta.
A LECO é menos eficaz para cálculos coraliformes devido ao seu grande volume e densidade. Requer múltiplas sessões, tem baixa taxa de 'stone-free' e maior risco de fragmentos residuais, que podem levar a novas infecções e crescimento do cálculo.
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