UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Um homem de 38 anos, anteriormente em boa saúde, desenvolve dor abdominal súbita e severa que irradia da região lombar esquerda até a região inguinal. Nunca apresentou episódio similar no passado. A dor vem acompanhada de náuseas e sudorese. Encontra-se agitado, revirando-se na cama. Apresenta FC de 105 bpm. O diagnóstico mais provável é:
Dor lombar súbita + irradiação inguinal + agitação psicomotora = Cólica Ureteral.
A cólica nefrética é caracterizada por dor intensa e paroxística devido à distensão da cápsula renal e ureter, levando o paciente a uma agitação característica (não encontra posição de alívio).
A nefrolitíase é uma condição extremamente comum em prontos-socorros, afetando cerca de 10% da população ao longo da vida. A fisiopatologia envolve a supersaturação urinária de sais, levando à formação de cristais. Quando um cálculo migra para o ureter, causa obstrução e aumento da pressão hidrostática proximal, resultando na dor lancinante descrita. O manejo inicial foca no controle da dor com anti-inflamatórios não esteroidais (AINES), que reduzem a pressão intrapélvica ao diminuir o fluxo sanguíneo renal, e opioides se necessário. A terapia médica expulsiva com alfa-bloqueadores (como a tansulosina) pode ser utilizada para cálculos distais menores que 10 mm para facilitar a passagem espontânea.
O padrão-ouro é a Tomografia Computadorizada (TC) de abdome e pelve sem contraste (Protocolo de Jeca). Ela possui alta sensibilidade e especificidade para detectar cálculos de qualquer composição, além de avaliar o tamanho, a localização exata e sinais secundários de obstrução, como a hidronefrose. Em gestantes e crianças, a ultrassonografia é a modalidade inicial preferida para evitar radiação ionizante.
A principal diferença reside no comportamento do paciente e nos sinais sistêmicos. Na cólica renal, o paciente está inquieto e agitado (sinal de 'luta' contra a dor). Na apendicite ou diverticulite, há sinais de irritação peritoneal, e o paciente prefere ficar imóvel, pois qualquer movimento agrava a dor. Além disso, processos inflamatórios costumam cursar com febre e leucocitose mais precocemente do que a litíase simples.
As indicações absolutas para intervenção imediata (desobstrução) incluem: evidência de infecção associada (urosepse), insuficiência renal aguda (especialmente em rim único ou obstrução bilateral), dor intratável com analgesia convencional e cálculos maiores que 10 mm com baixa probabilidade de eliminação espontânea. A presença de febre em um paciente com cólica renal é uma emergência médica.
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