Cálculo Ureteral: Terapia Expulsiva e Manejo da Cólica Renal

HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 24 anos, dá entrada no Pronto Socorro queixando-se de dor abdominal de forte intensidade (10/10), em cólica localizada em flanco esquerdo com irradiação para bolsa escrotal. História prévia de nefrolitíase tratada com litotripsia extracorpórea há 8 meses. Submetido a TC Abdome e Pelve sem contraste que evidencia cálculo de 6 mm em cruzamento dos vasos ilíacos, de 500 UH, à esquerda, com leve dilatação do sistema excretor a montante. Acerca do caso clínico, assinale a correta:

Alternativas

  1. A) O cálculo encontra-se no principal ponto de estreitamento da via urinária.
  2. B) Uma proposta terapêutica adequada contém terapia expulsiva com antagonista alfa-adrenérgico, analgésico e hidratação.
  3. C) Deve-se prosseguir com internação hospitalar, hidratação endovenosa e litotripsia extracorpórea
  4. D) Há necessidade de desobstrução imediata da via urinária através de passagem de cateter duplo J.

Pérola Clínica

Cálculo ureteral < 10mm sem complicação → terapia expulsiva com alfa-bloqueador, analgésico e hidratação.

Resumo-Chave

Cálculos ureterais menores que 10 mm, sem sinais de infecção, obstrução grave ou dor refratária, podem ser manejados com terapia expulsiva medicamentosa, que inclui alfa-bloqueadores (como tansulosina), analgésicos e hidratação adequada, visando facilitar a passagem espontânea do cálculo.

Contexto Educacional

A nefrolitíase é uma condição comum que causa dor intensa e é uma das principais causas de atendimento em pronto-socorro. O manejo adequado dos cálculos ureterais depende de seu tamanho, localização, sintomas e presença de complicações, sendo um tema recorrente em provas de residência e na prática clínica diária. O caso descreve um cálculo ureteral de 6 mm, localizado no cruzamento dos vasos ilíacos, com leve dilatação a montante. Cálculos menores que 10 mm, sem sinais de infecção ou obstrução grave, são frequentemente candidatos à terapia expulsiva medicamentosa. Esta inclui analgésicos para controle da dor, hidratação e, crucialmente, antagonistas alfa-adrenérgicos (como a tansulosina) para relaxar a musculatura ureteral e facilitar a passagem espontânea do cálculo. A internação e intervenção imediata (como cateter duplo J ou LECO) são reservadas para casos de dor refratária, infecção associada à obstrução, insuficiência renal aguda ou cálculos maiores/impactados que não respondem à terapia conservadora. O cruzamento dos vasos ilíacos é um dos pontos de estreitamento fisiológico do ureter, mas não o principal para impactação, que é a junção ureterovesical (JUV).

Perguntas Frequentes

Qual o papel dos alfa-bloqueadores na terapia expulsiva para cálculos ureterais?

Os alfa-bloqueadores (ex: tansulosina) relaxam a musculatura lisa do ureter, especialmente na porção distal, facilitando a passagem do cálculo e aliviando a dor. São eficazes para cálculos menores que 10 mm, aumentando as taxas de expulsão espontânea.

Quando é indicada a intervenção imediata para cálculo ureteral?

A intervenção imediata (desobstrução) é indicada em casos de dor refratária, febre com infecção urinária associada à obstrução, insuficiência renal aguda obstrutiva, ou cálculo em rim único com obstrução. Nestas situações, a passagem de cateter duplo J ou nefrostomia é prioritária.

Quais são os principais pontos de estreitamento fisiológico do ureter?

Os principais pontos de estreitamento fisiológico do ureter são a junção ureteropélvica (JUP), o cruzamento com os vasos ilíacos e a junção ureterovesical (JUV), sendo este último o local mais comum de impactação de cálculos devido ao seu menor diâmetro.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo