Nefrite Lúpica Ativa: Indução com Corticoide e Ciclofosfamida

FAA/UNIFAA - Hospital Escola Luiz Gioseffi Jannuzzi (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 46 anos portadora de lúpus eritematoso sistêmico (LES) com comprometimento cutâneo e articular há 02 anos. Vem para consulta de rotina sem queixas. Exames complementares revelam: hemoglobina: 9.8 g/dl; VCM: 84 fl; leucócitos totais de 4.800 com 1510 linfócitos; plaquetas: 210.000; creatinina: 1,9; EAS com hematúria e cilindros hemáticos; C3: 68; C4: 4; FAN 1:1280 padrão nuclear homogêneo; anti-Ro positivo; anti-DNA positivo, VHS: 54 mm; TGO: 14 U/l e TGP: 18 U/l. Qual o tratamento deveríamos instituir nesse momento?

Alternativas

  1. A) azatioprina
  2. B) metilprednisolona e hidroxicloroquina
  3. C) metilprednisolona e ciclofosfamida
  4. D) metilprednisolona e azatioprina

Pérola Clínica

LES com nefrite lúpica ativa (creatinina ↑, hematúria, cilindros, hipocomplementemia, anti-DNA ↑) → Corticoide + Imunossupressor potente (Ciclofosfamida).

Resumo-Chave

A paciente apresenta evidências de nefrite lúpica ativa e grave (creatinina elevada, hematúria, cilindros hemáticos, hipocomplementemia C3/C4, anti-DNA positivo, VHS elevado). Nesses casos, o tratamento de indução inclui pulsoterapia com metilprednisolona e um imunossupressor potente como a ciclofosfamida.

Contexto Educacional

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica que pode afetar múltiplos órgãos, sendo o comprometimento renal (nefrite lúpica) uma das manifestações mais graves e preditoras de morbimortalidade. O diagnóstico precoce e o tratamento agressivo são cruciais para preservar a função renal. A paciente apresenta um quadro de LES com claros sinais de nefrite lúpica ativa e grave: creatinina elevada, sedimento urinário ativo (hematúria e cilindros hemáticos), hipocomplementemia (C3 e C4 baixos) e altos títulos de anti-DNA. Esses achados indicam uma doença renal em atividade que requer intervenção imediata e potente. O tratamento de indução para nefrite lúpica proliferativa grave geralmente consiste em pulsoterapia com metilprednisolona para controlar a inflamação aguda, seguida ou concomitante com um agente imunossupressor potente como a ciclofosfamida (esquema NIH ou Euro-Lupus) ou micofenolato de mofetila. A hidroxicloroquina é mantida como terapia de base, mas não é suficiente para o tratamento da nefrite grave.

Perguntas Frequentes

Quais achados laboratoriais e clínicos indicam nefrite lúpica ativa e grave?

A nefrite lúpica ativa e grave é indicada por elevação da creatinina, proteinúria significativa, hematúria com cilindros hemáticos, hipocomplementemia (C3 e C4 baixos) e altos títulos de anti-DNA.

Qual o tratamento de indução recomendado para nefrite lúpica proliferativa grave?

O tratamento de indução padrão para nefrite lúpica proliferativa grave (classes III, IV e V com proliferação) envolve pulsoterapia com glicocorticoides (metilprednisolona) combinada com um imunossupressor potente, como a ciclofosfamida ou micofenolato de mofetila.

Por que a hidroxicloroquina e a azatioprina não seriam a primeira escolha neste caso?

A hidroxicloroquina é um tratamento de base para todos os pacientes com LES, mas não é suficiente para a nefrite lúpica grave. A azatioprina é usada para manutenção ou para formas menos graves de nefrite, não sendo potente o suficiente para a indução em casos com comprometimento renal ativo e progressivo.

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