PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025
Uma paciente de 28 anos, com diagnóstico prévio de lúpus eritematoso sistêmico (LES), apresenta-se com quadro de edema em membros inferiores, hipertensão e ganho de peso nas últimas semanas. Os exames laboratoriais revelam proteinúria de 2,5 g/24h, creatinina elevada e presença de cilindros hemáticos no sedimento urinário. A biópsia renal confirma nefrite lúpica classe IV (nefropatia lúpica proliferativa difusa). A paciente foi previamente tratada com prednisona e hidroxicloroquina, sem imunossupressores adicionais. Qual seria o manejo imunossupressor mais indicado para essa paciente?
Nefrite Lúpica Classe IV → Indução com Micofenolato ou Ciclofosfamida + Corticoide.
A classe IV é a forma mais agressiva de nefrite lúpica e requer imunossupressão potente imediata para preservar a função renal.
A Nefrite Lúpica Classe IV (proliferativa difusa) é caracterizada pelo envolvimento de mais de 50% dos glomérulos na biópsia renal, apresentando depósitos imunes subendoteliais e proliferação celular intensa. Clinicamente, manifesta-se com síndrome nefrítica, proteinúria significativa e risco elevado de perda de função renal se não tratada agressivamente. O tratamento é dividido em fase de indução (objetivando remissão rápida) e fase de manutenção (objetivando prevenir recidivas). O uso de micofenolato mofetil consolidou-se como uma alternativa eficaz e menos tóxica que a ciclofosfamida, sendo hoje amplamente utilizado como primeira escolha em diversos perfis de pacientes.
As diretrizes atuais (KDIGO e ACR/EULAR) recomendam o uso de Micofenolato Mofetil (MMF) ou Ciclofosfamida (esquema Euro-Lupus ou dose alta) associados a corticosteroides (pulsoterapia com metilprednisolona seguida de prednisona oral). O MMF é frequentemente preferido em mulheres em idade fértil devido ao menor risco de toxicidade gonadal em comparação à ciclofosfamida.
A hidroxicloroquina deve ser mantida em todos os pacientes com nefrite lúpica, a menos que haja contraindicação. Ela reduz o risco de surtos (flares), melhora a resposta renal, diminui o risco de progressão para doença renal terminal e tem benefícios cardiovasculares e antitrombóticos comprovados no LES.
A monitorização é feita através da avaliação seriada da proteinúria (objetivando redução de >50% em 6 meses e <0,5-0,7g/dia em 12 meses), estabilização ou melhora da creatinina sérica e normalização do sedimento urinário (ausência de cilindros hemáticos). Marcadores sorológicos como C3, C4 e anti-dsDNA também auxiliam na avaliação da atividade da doença.
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