UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024
Gestante na 15ª semana de gravidez, com diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico há oito anos, procura atendimento na emergência devido a edema generalizado e à elevação da pressão arterial. Relata uso prévio de azatioprina e hidroxicloroquina, ambos suspensos quando descobriu a gestação. Ao exame físico, apresenta: PA = 170 x 110mmHg, AFU = 14cm, BCF = 144bpm, edema de mãos, dos membros inferiores e da face. O exame laboratorial colhido há uma semana pelo pré-natal demonstra redução dos níveis séricos de complemento e anti-DNA de dupla hélice elevado. Os exames colhidos na emergência evidenciam spot urinário de 4,3mg/dL com sedimentoscopia mostrando hematúria dismórfica. Nesse caso, a medicação que deve ser iniciada para resolução do quadro agudo é:
LES gestacional com atividade renal aguda → Prednisolona é a escolha para controle inflamatório.
Em gestantes com LES e sinais de atividade da doença, especialmente renal (proteinúria, hematúria dismórfica, hipertensão, consumo de complemento), a prednisolona é a medicação de escolha para controlar a inflamação aguda, sendo segura na gestação.
Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) na gestação é uma condição complexa que exige manejo cuidadoso devido aos riscos maternos e fetais. A atividade da doença, especialmente a nefrite lúpica, é uma das complicações mais sérias, afetando cerca de 20-30% das gestantes lúpicas e podendo levar a desfechos adversos como pré-eclâmpsia, restrição de crescimento fetal e parto prematuro. O diagnóstico de atividade lúpica renal na gestação baseia-se em critérios clínicos (edema, hipertensão, proteinúria) e laboratoriais (elevação de anti-DNA, consumo de complemento, hematúria dismórfica, cilindros celulares). É crucial diferenciar a nefrite lúpica de outras causas de hipertensão e proteinúria na gravidez, como a pré-eclâmpsia, embora ambas possam coexistir. O tratamento da atividade lúpica aguda na gestação, especialmente a nefrite, geralmente envolve corticosteroides. A prednisolona é a medicação de escolha por ser metabolizada pela placenta, minimizando a exposição fetal. Outros imunossupressores podem ser considerados dependendo da gravidade, mas a azatioprina e hidroxicloroquina, embora geralmente seguras na gestação, não são a primeira linha para o controle agudo da inflamação severa.
Os sinais incluem edema generalizado, elevação da pressão arterial, proteinúria significativa (spot urinário > 300mg/dL), hematúria dismórfica, redução dos níveis séricos de complemento e elevação do anti-DNA de dupla hélice.
A prednisolona é um corticosteroide que é amplamente metabolizado pela placenta, resultando em mínima exposição fetal. Isso a torna uma opção segura e eficaz para controlar a atividade inflamatória do lúpus durante a gestação.
A nefrite lúpica se diferencia da pré-eclâmpsia pela presença de outros marcadores de atividade lúpica (anti-DNA elevado, complemento baixo), hematúria dismórfica e cilindros celulares. Embora possam coexistir, a pré-eclâmpsia geralmente não apresenta esses achados imunológicos e urinários específicos do lúpus.
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