MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma paciente de 24 anos, do sexo feminino, procura atendimento médico queixando-se de edema progressivo em membros inferiores e urina espumosa há cerca de um mês. Relata antecedente de artralgia intermitente em pequenas articulações das mãos e fotossensibilidade significativa. Ao exame físico, apresenta pressão arterial de 155/95 mmHg, edema maleolar bilateral (2+/4+) e lesões eritematosas discretas em região malar e dorso do nariz. Os exames laboratoriais revelam: Hemoglobina de 10,6 g/dL; Leucócitos de 3.100/mm³; Plaquetas de 155.000/mm³. Creatinina sérica de 1,6 mg/dL (valor basal prévio de 0,7 mg/dL). O sumário de urina (EAS) demonstra proteinúria de 3+, hematúria dismórfica (mais de 20 hemácias por campo) e presença de cilindros hemáticos e granulosos. O Fator Antinuclear (FAN) é reagente 1:1280 com padrão nuclear homogêneo. O anticorpo anti-DNA nativo (anti-dsDNA) é reagente em altos títulos e os níveis de frações do complemento C3 e C4 estão reduzidos. Considerando a principal suspeita clínica para o acometimento renal desta paciente, qual é o próximo passo mais adequado para definir a estratégia terapêutica?
Suspeita de nefrite lúpica (sedimento ativo ou proteinúria) → Biópsia renal é mandatória para guiar terapia.
A biópsia renal é o padrão-ouro no lúpus para diferenciar classes histológicas, avaliar índices de atividade (potencialmente reversível) e cronicidade (dano irreversível), definindo o prognóstico.
A nefrite lúpica é uma das manifestações mais graves do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) e um dos principais determinantes de morbimortalidade. O caso clínico apresenta uma paciente com critérios clássicos de LES (artralgia, fotossensibilidade, rash malar, anemia, leucopenia, FAN e anti-dsDNA positivos) evoluindo com síndrome nefrítica/nefrótica (edema, hipertensão, hematúria dismórfica e cilindros hemáticos). A correlação entre hipocomplementemia (C3 e C4 baixos) e títulos elevados de anti-dsDNA é altamente sugestiva de atividade renal, especialmente das classes proliferativas (III e IV). No entanto, a biópsia renal permanece indispensável. Ela não apenas confirma a classe, mas também identifica a sobreposição de classes (ex: IV + V) e quantifica o dano crônico, permitindo uma estratégia terapêutica personalizada que equilibra a eficácia da imunossupressão com a minimização de efeitos colaterais.
A biópsia renal está indicada sempre que houver evidência de acometimento renal clínico ou laboratorial: proteinúria persistente ≥ 0,5g/24h (ou relação proteína/creatinina ≥ 0,5), sedimento urinário ativo (hematúria dismórfica, cilindros hemáticos ou granulosos) ou perda inexplicada de função renal. Ela é fundamental porque as manifestações clínicas não predizem com precisão a classe histológica.
A classificação ISN/RPS divide a nefrite lúpica em seis classes: I (Mesangial mínima), II (Mesangial proliferativa), III (Focal proliferativa - <50% dos glomérulos), IV (Difusa proliferativa - >50% dos glomérulos), V (Membranosa) e VI (Esclerosante avançada). As classes III e IV são as mais agressivas e exigem imunossupressão intensa (indução com corticoides e micofenolato ou ciclofosfamida).
O índice de atividade avalia lesões inflamatórias agudas e potencialmente reversíveis (ex: crescentes celulares, necrose fibrinoide). O índice de cronicidade avalia lesões irreversíveis e cicatriciais (ex: esclerose glomerular, fibrose intersticial). Um alto índice de atividade sugere benefício com tratamento agressivo, enquanto um alto índice de cronicidade indica que a imunossupressão pode ser menos eficaz e o risco de progressão para doença renal terminal é maior.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo