Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2021
Mulher de 32 anos de idade apresenta fotossensibilidade e eritema malar há 4 semanas, evoluindo com mal-estar, vômitos, mialgia, artralgias e estado subfebril. Exames séricos realizados nesse momento: hemoglobina: 10,1 g/dL; plaquetas: 89000/mm3; leucócitos: 11500/mm3; ureia: 86 mg/dL; creatinina: 3,5 mg/dL; sódio: 135 mEq/L; potássio: 5,8 mEq/L; pH 7,2; bicarbonato: 18 mEq/L. USG de rins e vias urinárias: sem alterações. Considerando a principal hipótese, os achados do exame de urina que têm maior utilidade diagnóstica são:
LES com IRA e sinais sistêmicos → suspeitar de nefrite lúpica; cilindros hemáticos e dismorfismo eritrocitário são achados-chave na urina.
A apresentação clínica com fotossensibilidade, eritema malar, artralgias, citopenias e insuficiência renal aguda sugere fortemente Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) com acometimento renal (nefrite lúpica). Os cilindros hemáticos e o dismorfismo eritrocitário no exame de urina são marcadores patognomônicos de glomerulonefrite ativa, indicando lesão glomerular.
A nefrite lúpica é uma das manifestações mais graves do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), afetando até 60% dos pacientes e sendo uma das principais causas de morbimortalidade. O LES é uma doença autoimune multissistêmica caracterizada pela produção de autoanticorpos e formação de imunocomplexos, que podem se depositar em diversos órgãos, incluindo os rins. A epidemiologia mostra maior prevalência em mulheres jovens, como no caso clínico, e em certas etnias. O diagnóstico da nefrite lúpica é suspeitado pela presença de sinais e sintomas sistêmicos do LES (fotossensibilidade, eritema malar, artralgias, citopenias) associados a evidências de disfunção renal, como elevação de ureia e creatinina, proteinúria e hematúria. A fisiopatologia envolve o depósito de imunocomplexos nos glomérulos, ativando a cascata inflamatória e levando à lesão glomerular. O exame de urina é crucial, e a presença de cilindros hemáticos e dismorfismo eritrocitário é altamente sugestiva de glomerulonefrite ativa, indicando que os eritrócitos estão passando por glomérulos lesados. O tratamento da nefrite lúpica visa controlar a inflamação e preservar a função renal, geralmente envolvendo imunossupressores como corticosteroides, ciclofosfamida ou micofenolato de mofetila. O prognóstico depende da classe histopatológica da nefrite lúpica (determinada por biópsia renal) e da resposta ao tratamento. A monitorização regular da função renal e do exame de urina é essencial para detectar exacerbações e ajustar a terapia.
Sinais e sintomas incluem fotossensibilidade, eritema malar, artralgias, mialgias, mal-estar, febre baixa, citopenias (anemia, plaquetopenia) e sinais de insuficiência renal como elevação de ureia e creatinina.
Cilindros hemáticos e dismorfismo eritrocitário são indicativos de lesão glomerular ativa, caracterizando uma glomerulonefrite. Eles sugerem que o sangramento urinário tem origem nos glomérulos, o que é típico da nefrite lúpica.
Uma USG de rins e vias urinárias normal, na presença de insuficiência renal aguda e achados urinários de glomerulonefrite, ajuda a afastar causas obstrutivas ou outras anomalias estruturais, direcionando o diagnóstico para uma doença glomerular intrínseca, como a nefrite lúpica.
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