Nefrite Lúpica com IRA: Qual Conduta é Inadequada?

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 18 anos apresenta edema acentuado dos membros inferiores. Desconhece comorbidades e nega o uso de medicamentos. Ao exame físico, PA 150/94mmHg, FC 76bpm, FR 16ipm, SpO2 95% (em ar ambiente). Há edema palpebral, na parede abdominal e nos membros inferiores. Palpam-se pequenos linfonodos indolores nas cadeias cervicais, axilares e inguinais. Os sons respiratórios estão reduzidos em ambas as bases dos hemitórax. Algumas articulações interfalangeanas proximais apresentam-se com o volume aumentado, hiperemiadas e dolorosas à palpação. EXAMES DE LABORATÓRIO: Hg 12,2g/dL; LG 1890/mm³; NS 896/mm³; linfócitos 320/mm³; Plaq 109.800/mm³; creat 2,8mg/dL; sódio 135mEq/L; potássio 4,8mEq/L; LDH 540U/L; ácido úrico 9,3mg/dL; albumina sérica 2,3g/dL; C3 26; C4 3; FAN 1/320 padrão nuclear homogêneo; exame de urina: proteína 3+; hemoglobina negativo; 8 leucócitos/campo; 3 hemácias/campo. Assinale a alternativa que apresenta uma conduta INADEQUADA nesse caso:

Alternativas

  1. A) Prescrever enalapril
  2. B) Prescrever furosemida
  3. C) Prescrever glicocorticoide
  4. D) Solicitar biópsia renal

Pérola Clínica

Paciente com LES e nefrite lúpica grave (HAS, IRA, proteinúria, hipocomplementenemia) → IECA (enalapril) é inadequado na fase inicial de IRA.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro de nefrite lúpica grave com insuficiência renal aguda (creatinina 2.8 mg/dL) e hipertensão. Embora IECA seja útil para proteinúria e HAS em LES, sua prescrição é inadequada na fase aguda de IRA, podendo piorar a função renal. O tratamento inicial foca em controle da inflamação (glicocorticoide), diurese (furosemida) e diagnóstico (biópsia renal).

Contexto Educacional

A paciente apresenta um quadro clínico e laboratorial altamente sugestivo de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) com grave comprometimento renal, caracterizado por nefrite lúpica. Os achados incluem edema generalizado, hipertensão arterial, insuficiência renal aguda (creatinina 2.8 mg/dL), proteinúria maciça (3+), leucopenia, linfopenia, trombocitopenia, hipocomplementenemia (C3 e C4 baixos) e FAN positivo com padrão homogêneo. A artrite e a linfonodomegalia reforçam o diagnóstico de LES. Nesse cenário de insuficiência renal aguda, a conduta inicial deve focar na estabilização do paciente e no diagnóstico etiológico. A prescrição de furosemida é adequada para controlar o edema e a sobrecarga hídrica, comum na síndrome nefrótica/nefrítica. O uso de glicocorticoides é fundamental para suprimir a atividade inflamatória da nefrite lúpica, sendo a base do tratamento imunossupressor. A biópsia renal é indispensável para classificar a nefrite lúpica e guiar a terapia específica, pois diferentes classes histológicas exigem abordagens distintas. A conduta inadequada seria prescrever enalapril, um inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA). Embora os IECA sejam benéficos para o controle da hipertensão e da proteinúria em pacientes com doença renal crônica, eles são contraindicados ou devem ser usados com extrema cautela na presença de insuficiência renal aguda, especialmente com creatinina elevada. Os IECA podem piorar a função renal ao reduzir a pressão de filtração glomerular, sendo um risco significativo nesse contexto. Portanto, o controle da hipertensão deve ser feito com outras classes de anti-hipertensivos que não comprometam a função renal aguda.

Perguntas Frequentes

Quais achados clínicos e laboratoriais sugerem nefrite lúpica grave?

A nefrite lúpica grave é sugerida por edema acentuado, hipertensão, insuficiência renal (creatinina elevada), proteinúria significativa, hipocomplementenemia (C3 e C4 baixos) e FAN positivo.

Por que a biópsia renal é essencial nesse caso?

A biópsia renal é crucial para classificar a nefrite lúpica, determinar a extensão da lesão e guiar a terapia imunossupressora específica, impactando diretamente o prognóstico.

Qual o papel dos glicocorticoides no tratamento da nefrite lúpica?

Glicocorticoides são a base do tratamento da nefrite lúpica, especialmente em fases agudas e graves, para suprimir a inflamação e a atividade imunológica que danifica os rins.

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