Nefrite Lúpica Classe V: Diagnóstico e Imunofluorescência

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019

Enunciado

Uma paciente de 23 anos de idade procurou o pronto-socorro por quadro de edema há três semanas. Referiu que, inicialmente, o edema se localizava em membros inferiores, porém, após duas semanas, já estava generalizado, até em face. Referiu, também, ter ganhado peso e ter usado anti-inflamatórios uma semana antes do quadro para dor de cabeça, mas negou quaisquer outras queixas. Na investigação, foram realizados os seguintes exames: hemograma; creatinina; ureia; urina 1; relação proteína/creatinina em amostra isolada; complemento sérico; e sorologias para hepatite B, C, HIV e FAN. Os únicos exames alterados foram: urina 1, com proteinúria +++ e discretas hemácias dismórficas, relação proteína/creatinina igual a 6 g/g e FAN positivo (padrão nuclear homogêneo altos títulos). Foi realizada biópsia renal, que mostrou uma glomerulonefrite membranosa, com uma imunofluorescência rica em deposição de IgG, IgM, C1q, C3 e C4(padrão full house). Nessa situação hipotética, o diagnóstico etiológico do quadro é de

Alternativas

  1. A) glomerulonefrite membranosa idiopática.
  2. B) lúpus eritematoso sistêmico.
  3. C) síndrome de Goodpasture.
  4. D) HIV em janela imunológica.
  5. E) glomerulonefrite membranosa medicamentosa.

Pérola Clínica

GN membranosa + FAN altos títulos + 'full house' na IF = Nefrite Lúpica (Classe V) até prova em contrário.

Resumo-Chave

A presença de glomerulonefrite membranosa com um padrão de imunofluorescência 'full house' (deposição de IgG, IgM, C1q, C3 e C4) em conjunto com FAN positivo em altos títulos é altamente sugestiva de nefrite lúpica, especificamente a Classe V. Este padrão de imunodepósitos é um marcador clássico de doença autoimune sistêmica, distinguindo-a de formas idiopáticas ou secundárias a outras causas.

Contexto Educacional

A glomerulonefrite membranosa (GM) é uma causa comum de síndrome nefrótica em adultos, caracterizada por espessamento da membrana basal glomerular devido à deposição de imunocomplexos. Embora muitas vezes idiopática, é crucial investigar causas secundárias, sendo o lúpus eritematoso sistêmico (LES) uma das mais importantes. A nefrite lúpica (NL) é uma complicação renal grave do LES, com diversas classes histológicas, sendo a Classe V (nefrite lúpica membranosa) uma delas. O diagnóstico precoce e preciso é vital para o manejo adequado e para prevenir a progressão para doença renal crônica terminal. A fisiopatologia da GM envolve a formação de imunocomplexos que se depositam na membrana basal glomerular, ativando o complemento e causando lesão. No contexto do LES, esses imunocomplexos são formados por autoanticorpos e autoantígenos. A biópsia renal é fundamental para o diagnóstico, e a imunofluorescência (IF) é um exame chave. O achado de um padrão 'full house' na IF (deposição de IgG, IgM, IgA, C1q, C3 e C4) é altamente sugestivo de NL, diferenciando-a da GM idiopática, que geralmente apresenta apenas depósitos de IgG e C3. A presença de FAN positivo em altos títulos e hipocomplementemia sérica reforçam a suspeita de LES. O tratamento da nefrite lúpica membranosa envolve imunossupressão, com corticosteroides e agentes como ciclofosfamida ou micofenolato de mofetila, dependendo da gravidade e resposta. O prognóstico varia, mas o reconhecimento precoce e a terapia agressiva podem melhorar os resultados renais. Para residentes, é essencial integrar os achados clínicos, laboratoriais e histopatológicos para um diagnóstico etiológico preciso da glomerulonefrite membranosa, especialmente para não perder o diagnóstico de nefrite lúpica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais que sugerem nefrite lúpica em uma glomerulonefrite membranosa?

A suspeita de nefrite lúpica em uma glomerulonefrite membranosa surge com a presença de marcadores autoimunes como FAN positivo em altos títulos, consumo de complemento sérico e, principalmente, o padrão 'full house' na imunofluorescência da biópsia renal, indicando deposição de múltiplos imunocomplexos.

O que significa o padrão 'full house' na imunofluorescência renal?

O padrão 'full house' refere-se à deposição de múltiplos imunocomplexos na biópsia renal, incluindo IgG, IgM, IgA, C1q, C3 e C4. É um achado patognomônico de nefrite lúpica, indicando uma doença sistêmica por imunocomplexos.

Como diferenciar glomerulonefrite membranosa idiopática de secundária?

A diferenciação envolve a busca por causas secundárias, como doenças autoimunes (lúpus), infecções (hepatite B/C), medicamentos ou neoplasias. A presença de FAN, hipocomplementemia e o padrão 'full house' na biópsia são fortes indicadores de etiologia secundária, especialmente lúpica.

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